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MVP: o que é um Produto Mínimo Viável e como fazemos no Nubank

Sigla para Minimum Viable Product, em inglês, o MVP é a primeira versão de um produto e nos ensina a criar cada vez melhor.

MVP: Garoto sentado em um tablado de madeira no canto esquerdo inferior da foto, segurando um notebook. Ele estáem frente aum mural rosae roxo onde está escrito NU em branco.

Vasculhe a memória: alguma vez você usou um produto ou serviço digital que vinha com o aviso "estamos em fase de testes"? Se a resposta for sim, é provável que você tenha se deparado com um MVP – o famoso Produto Mínimo Viável.

Termo comum dentro do mundo das startups, o MVP é um conceito que usamos em praticamente todos os lançamentos do Nubank – e ele tem tudo a ver com querermos entregar os melhores produtos para nossos clientes.

Abaixo, explicaremos suas propriedades em mais profundidade, mas, para resumir, o MVP:

  • Encurta e otimiza os ciclos de trabalho;
  • Permite errar de formar pequena e controlada;
  • Reduz o custo inicial de testes de um produto;
  • Permite entender o que os clientes realmente querem – e não o que as empresas pensam que eles querem.

Afinal, o que é MVP (ou Produto Mínimo Viável)?

Sigla para Minimum Viable Product, o MVP é uma espécie de protótipo. O próprio nome – produto mínimo viável, em português – explica: trata-se de uma versão com as características consideradas minimamente necessárias para entregar valor para o público.

MVP: uma imagem sobra a outra. A primeira mostra a evolução de um carro, sendo que os passos são uma roda, duas rodas, a carroceria e finalmente o carro pronto. A segunda tem a mesma estrutura, mas os passos são um skate, um patinete, uma bicicleta, uma moto e o carro.
Melhor demorar um tempão construindo algo sem saber o que o público realmente quer... Ou ir entregando produtos constantemente melhorados em curtos espaços de tempo? O MVP possibilita a segunda opção.

E por que fazer assim, em vez de lançar algo mais completo de cara?

Porque, na maioria dos casos, o MVP vai ajudar a empresa a descobrir como tornar aquele produto melhor.

Um pouquinho de história sobre MVP

A primeira pessoa a cunhar o termo Minimum Viable Product foi Frank Robinson, CEO da consultoria SyncDev, em 2001. Ele expunha o seguinte problema:

"Os times frequentemente se gabam de ter criado 800 novas funcionalidades para um produto (...). Infelizmente, ir adicionando coisas não necessariamente gera melhoria. Às vezes, apenas toma mais tempo, torna o produto menos usável e acrescenta risco."

Ou seja: frequentemente, um produto é desenvolvido com base no que a equipe pensa que o usuário quer, não no que ele quer de verdade. O MVP foi uma solução bolada por Robinson para esse dilema:

"O MVP é o produto do tamanho certo para a empresa e seu cliente. É grande o suficiente para causar adoção, satisfação e vendas, mas não tão grande que seja inchado e arriscado(...)."

Como desenhar um MVP?

MVP: imagem de 9 post its roxos em grupos de 3 colados em uma parede, com uma mão retirando o mais abaixo
Festa do post it: o processo de criação de um MVP envolve diferentes profissionais trabalhando juntos em torno de uma hipótese

O MVP é muito ligado à metodologia de lean startup, que busca otimizar os ciclos de trabalho. Ao disponibilizar uma versão simplificada, com apenas algumas funcionalidades, é possível descobrir se o caminho que está sendo seguido é o mais adequado – pois só quando o produto estiver na mão dos clientes é que se sabe se ele funciona de verdade.

Como assim?

Os estágios do MVP

Tudo começa com uma ideia. A partir de muita pesquisa, identifica-se que as pessoas têm um problema que pode ser resolvido – ou seja, um produto será construído com base em uma hipótese de como solucionar o problema.

É dessa hipótese que nasce o produto em sua versão MVP: ela só vai ser validada quando os clientes começarem a usar e mostrarem seu comportamento. A partir daí, podem acontecer diversos cenários diferentes:

  • As pessoas gostam do produto e usam do jeito como ele foi pensado;
  • As pessoas até se interessam, mas têm dificuldade de usar;
  • As pessoas não gostam do produto e não usam;
  • As pessoas usam um pouco, mas reclamam que poderia ser melhor se tivesse uma funcionalidade tal;

… E assim por diante.

É nesse momento que começa mais uma fase: a de medir resultados.

É preciso ter um controle sobre a reação dos usuários (por esse motivo, no Nubank, soltamos nossos MVPs sempre para grupos pequenos, para ir ampliando aos poucos) para entender o que eles querem.

Através da coleta e análise de dados, o time responsável volta para a lousa e desenha seus próximos passos: tudo correu como esperado? Hora de seguir com a próxima etapa programada. Tudo deu errado? Vamos entender por que nossa hipótese estava incorreta e desenvolver uma nova. Qualquer resultado no meio desses dois? É quebrar a cabeça para entender o que adaptar e o que criar de novo.

Tudo isso gera um aprendizado para a próxima versão. A nova ideia será mais otimizada que a anterior, porque já conta com dados de comportamento dos clientes.

Todas essas fases estão resumidas neste gráfico:

Ciclo do lean startup

MVP: imagem do ciclo de lean startup com as seguintes palavras espalhadas em um círculo: ideia, construir, produto, medir, dados, aprender.
O ciclo do lean startup: da ideia ao aprendizado para novas ideias

No Nubank, aplicamos esse ciclo de maneira praticamente infinita, porque há sempre mais melhorias a serem feitas.

Como descobrir o que é o mínimo viável?

Não existe uma resposta exata para essa pergunta – ela vai variar de situação para situação. Por isso é tão importante separar o que é problema do que é solução.

A equipe de desenvolvimento precisa ter muita clareza de qual é o problema que está tentando solucionar. A ideia é que a primeira solução entregue seja a que demanda o mínimo de esforço e recursos.

Isso não significa, no entanto, entregar para o cliente um produto mal feito. No Nubank, nós partimos do princípio de que o MVP precisa ter uma experiência minimamente agradável para o usuário.

Em primeiro lugar, porque faz parte da nossa missão facilitar a vida das pessoas; em segundo, porque, se o produto for tão básico que é ruim de usar, não será possível medir se estamos atendendo as demandas das pessoas – talvez aquela solução até resolva o problema, mas a experiência ficou tão ruim que está afastando o usuário.

É por isso que, às vezes, fala-se de minimum lovable product (mínimo produto amável, ou cativante, em tradução livre). Ou seja, um produto que tenha as características básicas para cair no gosto do público.

Qual é o time envolvido em um MVP?

MVP: Imagem de uma mulher e dois homens olhando para um vidro cheio de post its coloridos. A mulher fazo movimento de puxar um deles.
A equipe envolvida no MVP precisa ter as habilidades necessárias para executar o produto em várias frentes

Novamente, depende de uma série de fatores – o tipo de produto que está sendo criado, o tamanho, o tempo dedicado, o impacto que ele terá no resto da empresa… Se estamos falando de uma funcionalidade pequena, fácil de implementar, é um caso. Se é um produto totalmente novo, é outro.

A equipe precisa reunir as habilidades de todas as etapas do ciclo do lean startup – ou seja, ser capaz de planejar, executar e implementar o produto, além de medir e analisar os resultados.

Papéis normalmente envolvidos em um MVP no Nubank

  • Product Manager: traduzem o problema do cliente em estratégia para o produto, alinham prioridades e coordenam a entrega.
  • Engenheiro de software: responsáveis pela implementação técnica do produto ou funcionalidade dentro do universo do Nubank (aplicativo ou site, por exemplo).
  • Designer: desenham as telas e fluxo de experiência do produto (normalmente dentro do aplicativo) e conduzem pesquisas e testes de usabilidade.
  • Product Marketing Manager: organizam a estratégia de comunicação do produto, reunindo as várias pontas do time de marketing para explicar ao mercado o que está sendo lançado.
  • Especialista em excelência do cliente: fazem a ponte com a equipe de xpeers (como chamamos nossos profissionais de atendimento ao cliente) para que eles estejam preparados para responder dúvidas dos clientes e ensinar a usar o novo produto.

Como nasceu a conta do Nubank?

Mão segurando celular com o aplicativo Nubank aberto na área da NuConta
A conta do Nubank é um produto que se aperfeiçoa a cada nova funcionalidade

Quando decidimos criar a conta do Nubank, os princípios foram os mesmos.

Sabíamos que o produto que estávamos lançando não oferecia tudo que as pessoas buscavam em uma conta. Mas a nossa hipótese era que as primeiras funcionalidades – render mais do que a poupança e poder fazer transferências – já entregavam algo valioso: as pessoas poderiam parar de usar a poupança para guardar dinheiro, já que a nossa conta rendia mais.

Poderíamos ter esperado e criado um produto completo de cara, mas pareceu mais inteligente colocá-lo na mão das pessoas e ouvir o que elas queriam.

Foi assim que, nos meses (e anos) seguintes, fomos aprimorando de acordo com o que os usuários mais pediam, agregando funcionalidades como débito, agendamento de TEDs, função Guardar Dinheiro etc. A mais recente, lançada em julho de 2022, foi a função Caixinhas, que permite guardar dinheiro por objetivos e de forma organizada.

Um dos nossos pontos mais fundamentais nesse processo todo foi a transparência de comunicar às pessoas o que era possível e o que não era. Se alguém nos perguntava, lá no início, se podia fechar a conta-corrente de seu banco, explicávamos que não seríamos capazes naquele momento de suprir todas as necessidades.

Foi assim que desenvolvemos um produto cada vez mais redondo. E é assim que gostamos de trabalhar: crescendo juntos.

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