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Cada vez mais pessoas investem na Bolsa. Mas elas estão tomando cuidado?

Novos investidores podem se encantar com retornos mais altos, mas precisam saber que os riscos também aumentam.



Homem se equilibrando em uma corda bamba roxa em meio a um gráfico que desce e sobe com porcentagens

Nunca antes tantos brasileiros investiram na Bolsa – e não é só jeito de falar. A B3, Bolsa de Valores brasileira, atingiu em outubro de 2021 a marca histórica de 4 milhões de investidores. Para se ter uma ideia, há um ano, existiam cerca de 3 milhões de investidores na Bolsa. Isso significa todo um universo de novos investidores no mercado.

Mas por que tanta gente nova?

Existem algumas hipóteses para esse movimento. A principal delas é a diminuição das taxas de juros no Brasil, entre 2016 e janeiro de 2021. Pessoas que costumavam deixar seu dinheiro em aplicações de baixo risco foram vendo sua rentabilidade cair progressivamente e se voltaram à Bolsa para tentar retornos melhores.

Isso, por si só, não é necessariamente um problema. Investir na Bolsa pode significar um rendimento melhor e multiplicação mais rápida do patrimônio.

Mas também é muito fácil para novos investidores (ou até os mais experientes) tomarem más decisões em um mercado com riscos maiores.

Quem começa a se aventurar neste universo precisa ser cauteloso e estar atento para não acabar perdendo seu dinheiro.

A queda da Selic e a explosão de investidores na Bolsa

A Selic é a taxa de juros básica da economia: sua meta, que é determinada pelo Banco Central, serve como referência para diversas outras e interfere em uma série de aspectos da economia – entre eles, a rentabilidade de aplicações em renda fixa.

Renda fixa, como sugere o nome, é um tipo de investimento com retorno fixo. Na maioria das vezes, os rendimentos desse tipo de aplicação são atrelados a algum índice – como a própria Selic, o IPCA ou o CDI. Eles são considerados investimentos de baixo risco e, via de regra, têm proteção do FGC.

A poupança é outro exemplo: seu rendimento varia de acordo com a Selic. Hoje, ela perde até para a inflação – ou seja, dinheiro parado na poupança desvaloriza.

Ou seja, uma taxa Selic alta representa retornos igualmente altos nestes investimentos. Quando ela cai, por outro lado, o rendimento também despenca.

E a Selic caiu muito nos últimos anos: após fechar 2016 em 13,75%, ela foi diminuindo ano a ano até chegar a 2% em agosto de 2020, menor valor da história. Contudo, o jogo virou: agora, a Selic está em trajetória de alta. Em junho de 2022, o Banco Central subiu a taxa pela décima primeira vez, para 13,25% ao ano.

Se você colocasse R$ 1 mil em um investimento com rendimento de 100% da Selic, em agosto de 2020, quando os juros estavam em seu menor nível histórico (2%) você teria R$ 1.020,00 em um ano. Hoje, com a Selic a 13,25% ao ano, esses R$ 1 mil, em um ano, virariam R$ 1.132,50 – sem contar os descontos do Imposto de Renda e outras taxas.

Em outras palavras: quanto maior a Selic, mais atrativos são os investimentos em renda fixa, e a Bolsa fica em segundo plano para muitos investidores.

O resultado da queda da Selic até o início de 2021 foi um crescimento exponencial de investidores na B3. Conforme a Selic foi caindo, as pessoas saíram em busca de retornos melhores. E mesmo com o ciclo de alta, a Bolsa segue recebendo novos investidores.

O aumento de investidores na Bolsa acompanhou a queda contínua da meta da taxa Selic, que chegou a 2%. Atualmente, a taxa está em 13,25% ao ano.

Cerca de 40% dos investidores brasileiros entraram no mercado de capitais nos últimos cinco anos – 25% nos últimos dois anos, segundo um estudo de outubro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

De acordo com a B3, ainda, os pequenos investidores aumentaram sua presença em mais de 10 pontos percentuais desde 2011: em março de 2020, 54% dos investidores na Bolsa tinham uma carteira com até R$10.000. Hoje, quase metade das pessoas físicas com conta na B3 estão na faixa dos 25 a 39 anos.

Riscos e vantagens para novos investidores

A Bolsa de Valores é o mercado onde são negociados ações, moedas estrangeiras, juros futuros e uma série de outros investimentos em renda variável – aqueles em que não há uma garantia de rentabilidade.

Por serem mais arriscados, eles tendem a ser mais lucrativos – quando tudo dá certo, é claro.

Mas o grande risco para investidores pouco experientes é prestar mais atenção à promessa de lucro do que à possibilidade de prejuízo.

No início da pandemia do novo coronavírus, a Bolsa de Valores brasileira teve quedas drásticas. Naquele momento, a internet se inundou com supostos especialistas dizendo que aquele era o momento certo de investir – um “saldão” da Bolsa, que só tenderia a subir.

Acontece que o mercado é incerto, as circunstâncias podem mudar da noite para o dia e quem não tem experiência como investidor não deve nunca cair em dicas que prometem soluções fáceis – se fosse fácil de verdade, todo mundo ganharia.

Segundo a B3, novos investidores costumam cometer três erros comuns:

  1. Comprar ações de uma empresa antes de pesquisar sobre ela;
  2. Avaliar uma ação considerando apenas seu preço inicial;
  3. Deixar-se levar pela opinião de quem não é especialista.

Veja dicas de como evitar essas ciladas.

Investir na Bolsa pode ser uma grande oportunidade – se isso for feito com responsabilidade, orientação e de forma gradual, aprendendo aos poucos. Quando o assunto é dinheiro, quanto menos a gente tem, mais tem a perder.

Quer saber mais sobre investimentos? Veja tudo que já publicamos.

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