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Empréstimo FGI PEAC: tudo sobre o programa de crédito com garantia do governo

Entenda como funciona o programa de garantia do BNDES, quem pode acessar e saiba quais os custos reais da operação.
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Conseguir crédito empresarial no Brasil continua sendo um dos maiores obstáculos para quem empreende. Segundo uma pesquisa feita pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) em parceria com o IBRE (Instituto Brasileiro de Economia), as duas dificuldades mais comuns aos empreendedores são "dificuldade de acesso ao crédito" (36,5%) e "alta carga tributária" (36,0%). 

Para tentar resolver essa questão, é possível contar com o empréstimo FGI PEAC (Programa Emergencial de Acesso a Crédito com garantia do Fundo Garantidor para Investimentos), programa de garantia do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A seguir, entenda como funciona o FGI PEAC, quais os custos envolvidos e como contratar essa modalidade de empréstimo para a sua empresa.

O que é e como funciona o FGI PEAC?

O FGI PEAC,  instituído pela Lei 14.042/2020 durante a pandemia, não é uma linha de crédito, propriamente dita, mas um programa de garantia que reduz o risco de inadimplência

Geralmente, os bancos exigem do empreendedor certas garantias (imóveis, recebíveis, avalistas com patrimônio) na hora de contratar um empréstimo. No entanto, a maioria das micro e pequenas empresas não possuem esses ativos. É aí que entra o BNDES, via FGI – para assumir parte do risco da operação (de 10% a 80%), o que facilita a aprovação de crédito empresarial.

Na prática, o fluxo é o seguinte: você procura uma instituição financeira com toda a documentação da sua empresa em mãos (contrato social, faturamento, CND em dia, balanço), faz a proposta, o banco analisa e solicita a garantia do FGI ao BNDES.

Uma vez aprovado, você assina uma CCB (Cédula de Crédito Bancária) e o dinheiro cai na conta da empresa entre dois dias úteis e três semanas. 

É importante destacar que a garantia cobre o banco, não o empreendedor. Ou seja, caso a sua empresa não consiga arcar com a dívida, o FGI efetua o pagamento ao banco, mas o BNDES passa a cobrar de você judicialmente, se for necessário. 

FGI PEAC e Pronampe: entenda a diferença entre eles 

Apesar de serem frequentemente confundidos, FGI PEAC e Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) são programas diferentes. O FGI PEAC usa o FGI (Fundo Garantidor para Investimentos), e o Pronampe usa o FGO (Fundo Garantidor de Operações). Cada um tem regras próprias de público, taxa, prazo e valor máximo.

CaracterísticaFGI PEACPronampe (FGO)
TipoPrograma de garantiaLinha de crédito com garantia
Fundo garantidorFGI (Fundo Garantidor para Investimentos)FGO (Fundo Garantidor de Operações)
Público-alvoMEI, MPMEs (até R$ 300 mi)MEI, ME, EPP (até R$ 4,8 mi)
Cobertura da garantiaAté 80% por operaçãoAté 100% do risco
Taxa típicaMédia de mercado 1,75% a.m. (teto regulamentar)Selic + 6% a.a.
Prazo máximoAté 84 mesesAté 72 meses
Carência6 a 24 mesesAté 12 meses (até 24 em casos específicos)
ValorR$ 1 mil a R$ 10 milhõesAté R$ 500 mil (50% do faturamento)
Custo extraECG (Encargo por Concessão de Garantia) + IOFSem ECG

Quem pode contratar um empréstimo FGI PEAC? Saiba os critérios de elegibilidade 

Os critérios variam por instituição financeira, mas o BNDES exige basicamente:

  • Porte e faturamento: costumam ser elegíveis empresas privadas (incluindo MEIs), associações, fundações de direito privado e sociedades cooperativas (exceto sociedades de crédito), com faturamento anual de até R$ 300 milhões;
  • Situação fiscal: obrigatória a CND (Certidão Negativa de Débitos) ou (CPEN) Certidão Positiva com Efeitos de Negativa válida;
  • Devedor solidário: é preciso ter um sócio majoritário como devedor solidário (que é quem assume a responsabilidade total por uma dívida junto com outra pessoa).

Como solicitar o empréstimo FGI PEAC? Confira o passo a passo 

Empresas que chegam ao banco com a documentação organizada e a situação fiscal em dia costumam ser aprovadas de forma mais rápida. Saiba como se organizar.

1. Reúna a documentação necessária

Separe os documentos da lista abaixo:

  • Contrato social atualizado (ou requerimento de empresário, no caso de MEI);
  • Balanço patrimonial e DRE dos últimos exercícios;
  • Faturamento dos últimos 12 meses (extrato de notas fiscais ou faturamento bancário);
  • CND federal (Receita Federal e PGFN), CND municipal e estadual;
  • Documentos pessoais dos sócios (RG, CPF, comprovante de residência);
  • Comprovante de endereço da empresa.

2. Regularize pendências fiscais

A CND (Certidão Negativa de Débitos) precisa estar negativa e válida no momento da contratação. Caso a proposta seja recusada por inconsistência na certidão, geralmente é possível regularizar e tentar novamente após sete dias, sujeito a nova análise de crédito.

3. Compare condições em diferentes instituições

As condições, como taxa, prazo, carência, documentos exigidos e prazo de análise podem ser diferentes para o mesmo perfil de empresa em diferentes instituições.  

Clientes do Nu Empresas, por exemplo, podem simular diretamente pelo aplicativo duas modalidades de empréstimo PJ:  Capital de Giro e o Capital de Giro FGI-PEAC (caso esses produtos estejam disponíveis).

É possível simular a operação, escolher o valor, a quantidade de parcelas e a data de vencimento de cada uma. As condições aparecem de forma transparente antes mesmo da assinatura. Também é possível antecipar as parcelas pelo próprio app, com desconto proporcional aos juros. 

4. Faça a proposta 

Com a documentação organizada e o banco escolhido, formalize a proposta – pelo app, no internet banking ou diretamente com o seu banco. A instituição faz duas análises ao mesmo tempo: a análise de crédito interna (com base no faturamento, histórico e capacidade de pagamento da empresa) e a solicitação da garantia ao FGI/BNDES. As duas precisam ser aprovadas para que o empréstimo seja liberado – o que pode levar até três semanas.

6. Formalize a CCB e receba o crédito

Ao ser aprovado, você precisa assinar a Cédula de Crédito Bancária (normalmente isso é feito de  forma digital, com certificado ou token). Quando liberado, o valor é creditado na conta da empresa.

Lembre-se de salvar todas as simulações, e-mails, o CET ( Custo Efetivo Total) e todo o contato com a instituição financeira. Esses registros podem evitar dor de cabeça lá na frente.

MEI pode pegar FGI PEAC?

Sim. Desde a reabertura do programa em 2022, MEIs estão entre os beneficiários do FGI PEAC, junto com micro, pequenas e médias empresas.

É possível ter mais de um empréstimo FGI PEAC ao mesmo tempo?

Sim, desde que a soma dos valores garantidos pelo FGI não ultrapasse R$ 10 milhões por CNPJ.

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