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Renda passiva nos investimentos: onde investir para viver de renda?

A renda passiva é aquele dinheiro que entra na sua conta faça chuva ou faça sol, e que pode ser obtida por meio de investimentos de renda fixa e renda variável.

Ilustração com fundo cinza. No centro, uma mão quebra um porquinho de dinheiro com um martelo. Moedas aparecem ao centro.

Quem não gosta de ver dinheiro entrando na conta? Agora imagine ter uma renda garantida, sem precisar trabalhar para recebê-la. O que parece coisa de pessoas milionárias pode ser mais acessível do que você imagina. 

É que renda passiva é aquela que pinga na conta, independentemente do que você faz ou deixa de fazer, e não precisa ser, necessariamente, uma quantia enorme. Pode ser aquele dinheiro que te ajuda a complementar o orçamento, a pagar um boleto ou até mesmo a acelerar uma meta. 

A renda passiva também está associada à independência financeira, justamente porque é aquele dinheiro que você ganha sem precisar trabalhar. Mas como criar uma renda passiva? Onde investir para ter uma? É possível viver de renda com os rendimentos de investimentos? Veja o que disseram os analistas do Nubank. 

É possível criar renda passiva com investimentos?

É possível criar uma renda passiva a partir do aluguel de imóveis, de direitos autorais, royalties ou lucro de diferentes operações, por exemplo. Mas o caminho mais comum para viver de renda é investindo. 

"Essa estratégia focada em renda passiva é uma combinação entre simplicidade e eficiência no longo prazo. O investidor precisa entender que é um processo que demanda tempo. Estamos falando de anos e décadas de investimento até que viver de renda seja uma realidade. Mas, sim, é plenamente possível."

Murilo Breder, analista de investimentos de renda variável

Para Eduardo Perez, analista de investimentos de renda fixa, investir é o caminho mais possível para viver de renda. "A renda passiva é uma forma de transformar uma parte dos juros dos investimentos em renda, mas isso requer um bom planejamento e disciplina além de foco no longo prazo", afirma.

Como começar uma estratégia de renda passiva?

O analista de investimentos José Castro afirma que o primeiro passo dessa estratégia é definir o seu objetivo. Isso inclui: 

  • Definir o valor da renda passiva que você deseja obter;
  • A frequência que quer receber esse dinheiro (mensal, bimestral, trimestral, semestral, anual ou qualquer outra regularidade que faça sentido para você);
  • Quanto você tem hoje disponível para investir.  

Com esses valores decididos, é hora de escolher o tipo de investimento que faz sentido para a sua realidade. É possível criar uma renda passiva investindo em renda fixa e renda variável.  

Como ter renda passiva com a renda fixa? 

Renda fixa é uma modalidade de investimentos que oferecem uma garantia de retorno sobre o valor aplicado, em casos de resgate na data de vencimento. Em outras palavras, são investimentos em que é possível saber quanto você vai receber, desde que o dinheiro permaneça aplicado até o final do prazo planejado.

Quando você faz um investimento de renda fixa, você empresta dinheiro para o governo, uma instituição financeira ou uma empresa privada. Em troca, recebe uma taxa de rentabilidade, e esse valor volta para você com juros.

Exatamente pela segurança e menor risco, a renda fixa não costuma dar grandes retornos aos investidores. Mas isso não significa que ela não seja uma boa escolha em uma estratégia de renda passiva, pelo contrário. Afinal, diversificar é fundamental. 

https://www.youtube.com/watch?v=coa_VQE_Fyc

Onde investir na renda fixa para ter renda passiva?

A lógica da renda passiva é você receber dinheiro com alguma frequência definida por você. Na renda fixa, existem investimentos que fazem pagamentos de juros periódicos, normalmente  semestrais ou anuais – como é o caso do Tesouro IPCA com juros semestrais e o Tesouro Prefixado também com juros semestrais, que têm menor risco. 

"Subindo a escada de risco, temos os títulos corporativos como debêntures, CRIs e CRAs que podem ser pós-fixados, prefixados ou híbridos, e podem variar entre pagar juros no vencimento, pagar juros semestrais, anuais ou em datas específicas." 

Eduardo Perez

Como ter renda passiva com a renda variável?

Renda variável é uma modalidade de investimento em que não é possível saber o quanto seu dinheiro vai render em determinado período. Em outras palavras, é um investimento que varia muito e normalmente é de alto risco, ou seja, o investidor pode ganhar ou perder dinheiro muito rapidamente.

Por conta disso, a possibilidade de lucro nos investimentos de renda variável também é maior. É por isso que, quando o assunto é renda passiva, essa é a modalidade de investimentos mais buscada. 

Além disso, os investimentos de renda variável têm mecanismos que facilitam a criação de renda passiva, como o pagamento de proventos (dividendos e juros sobre capital próprio). 

https://www.youtube.com/watch?v=S-3BXHNPvhk

Onde investir na renda variável para ter renda passiva?

As ações que pagam dividendos e juros sobre capital próprio são uma das opções na renda variável para a criação de renda passiva, segundo Murilo Breder.

"O investimento em ações é a melhor forma de acelerar o crescimento de renda passiva porque conforme o lucro dessas companhias vai crescendo ao longo do tempo, os dividendos que elas distribuem tendem a ficar maiores também. Isso não acontece em renda fixa e acontece, mas num grau substancialmente menor, nos fundos imobiliários", afirma o analista.

Segundo ele, as empresas que são boas pagadoras de proventos costumam ser mais sólidas, porque a distribuição de dividendos exige que a empresa tenha um fluxo de caixa positivo, estável e, de preferência, crescente. Ou seja, para distribuir lucro, a empresa precisa lucrar, e se ela está ganhando mais dinheiro do que gastando, isso mostra que ela está indo bem.

"Essas características normalmente são encontradas em companhias mais maduras, cujas indústrias e produtos já se provaram vencedores no mercado. Um portfólio de ações pagadoras de dividendos oferece melhor proteção quando a Bolsa cai, bem como se mantém capaz de surfar os bons períodos de alta", explica Breder.

Como ter renda passiva com fundos imobiliários?

Os fundos imobiliários (ou FIIs) funcionam como outros fundos de investimento: eles reúnem pessoas interessadas em investir e têm gestores responsáveis por controlar e gerenciar onde o dinheiro será aplicado. No caso dos FIIs, o dinheiro é aplicado em imóveis.

Nesse tipo de fundo não há previsibilidade de retorno, por isso, os fundos imobiliários são considerados investimentos de renda variável.

Quando você investe num fundo imobiliário, você recebe um rendimento que o mercado chama de aluguel. Esse valor normalmente é pago mensalmente – e isso torna esse tipo de ativo uma das opções mais populares entre os investidores que querem ter renda passiva.

"O que torna os fundos imobiliários atraentes é a possibilidade de renda passiva mensal, isenta de IR, caindo direto na conta todo mês. Essa previsibilidade e frequência atrai investidores com esse objetivo. Além disso, esses fundos tendem a pagar um rendimento acima dos aluguéis convencionais de imóveis físicos, com mais diversificação, mais liquidez, gestão e administração profissional." 

José Castro

Mas o analista alerta: por ser um investimento de renda variável, com as cotas negociadas na Bolsa de Valores, os fundos imobiliários também têm riscos.

O que avaliar num fundo imobiliário para ter renda passiva?

Na hora de escolher um FII com o objetivo de ter renda passiva, o analista recomenda observar alguns pontos:

  • Custos com taxa de administração e gestão; 
  • Tamanho do fundo em patrimônio e área bruta locável;
  • Número de cotistas; 
  • Liquidez das cotas negociadas na Bolsa; 
  • Preço é muito importante, pois ele impacta o nível de retorno que o investidor receberá; 
  • Qualidade dos imóveis e localização; 
  • Experiência do time de gestão, pois é ele que escolhe quais imóveis vão entrar no fundo.

Dá para ter renda passiva investindo pouco dinheiro?

Se você tem até R$ 100 para investir por mês, o seu planejamento para criar uma renda passiva com renda fixa requer mais tempo. 

"Os primeiros proventos mal compram uma bala ou doce. Depois de alguns poucos anos, contudo, eles já são suficientes para pagar uma ou outra conta. O próximo passo é alcançar uma renda passiva capaz de pagar todo o aluguel", considera Murilo Breder.  

Neste caso, o analista Eduardo Perez recomenda dividir o plano em dois momentos. 

"O primeiro deles é o de acumulação de patrimônio, em que faria mais sentido investir em títulos de renda fixa sem pagamento de juros por enquanto para aumentar o efeito dos juros compostos", afirma Perez. 

Quer saber o que são juros compostos? Clique aqui

Imposto de Renda

Além disso, essa estratégia também evita que o investidor seja tributado a cada pagamento de juros. É que no caso do Tesouro Direto com juros semestrais, há o desconto do Imposto de Renda em cima da rentabilidade paga semestralmente. Para quem investe pouco, esse desconto pode fazer diferença e pode até desestimular o investimento. 

Usando como exemplo o Tesouro IPCA+ 2055, se um investidor coloca R$ 1 mil, ele recebe algo em torno de R$ 29 de juros semestrais que, com descontos de Imposto de Renda, chegam a R$ 22.

"Ou seja, as chances de ficar desestimulado na fase inicial do plano são enormes e a tributação não ajuda", afirma Eduardo Perez.

Esse passo da acumulação também faz sentido para quem quer investir na renda variável. Depois de ter um bom montante acumulado, daí sim o analista recomenda partir para os títulos com juros semestrais e outros investimentos.  

"Não tem muito segredo. É manter as finanças em dia, ser capaz de poupar e aportar com muita disciplina, escolher bons ativos e reinvestir os proventos que vão chegando ao longo do caminho. É repetir isso por anos."

Murilo Breder

Ou seja, nesse plano, o que conta é a consistência de investir todo mês, e reinvestir os proventos (dividendos ou juros sobre capital próprio) que receber –assim, você vai aumentando o seu patrimônio investido. Quanto maior esse bolo, maior será a sua renda passiva.

Quanto aplicar para ter uma renda passiva de R$ 1 mil e R$ 5 mil? 

Depende do tipo de investimento. Veja algumas opções, segundo simulações feitas pelos analistas do Nubank.

Importante dizer que esses valores consideram inflação e juros de outubro de 2022.  

Renda fixa

Para ter uma renda de R$ 1 mil com a renda fixa, uma das possibilidades é o investidor aplicar em torno de R$ 280 mil no Tesouro IPCA com juros semestrais, com vencimento em 2055.

"O investidor começaria recebendo uma renda semestral de aproximadamente R$ 6 mil, que fica em torno de R$ 1 mil por mês, mas o valor a ser pago vai aumentando com o tempo. De acordo com a simulação, usando os dados atuais de inflação projetada e juros, a renda seria de R$ 6.500 por mês nos últimos pagamentos", afirma Eduardo Perez. 

Para ter uma renda passiva de R$ 5 mil, é preciso aplicar em torno de R$ 1,4 milhão no Tesouro IPCA 2055 com juros semestrais. 

Renda variável

Considerando a renda variável, a estratégia de renda passiva é baseada em ações que pagam dividendos, segundo sugestão de Murilo Breder. 

As ações que fazem parte da seleção Top Dividendos do Nubank possui um retorno médio em dividendos (dividend yield) projetado de 8,4% para os próximos 12 meses, considerando as projeções feitas em outubro de 2022. 

Neste caso, para o investidor ter R$ 1 mil por mês de renda passiva, ele precisaria ter cerca de R$ 140 mil investidos nesta seleção. Já para alcançar uma renda de R$ 5 mil mensais, seriam necessários ter em torno de R$ 700 mil investidos.

Fundos imobiliários

Os fundos imobiliários que fazem parte da seleção Top FII do Nubank tiveram um retorno em dividendos médio de 11,5% nos últimos 12 meses, considerando os dados de outubro de 2022. 

Com isso, para ter uma renda passiva de R$ 1 mil por mês, o investidor precisaria ter em torno de R$ 100 mil investidos. Já para alcançar R$ 5 mil por mês de renda passiva, ele precisaria ter cerca de R$ 520 mil investidos.

"Destaco, porém, que olhar apenas para retorno em dividendos (dividend yield) é um dos grandes erros dos investidores. Para montar uma boa carteira, é imprescindível manter uma boa diversificação e escolher empresas ou fundos imobiliários de boa qualidade."  

Murilo Breder

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