Depois de adulto, fica fácil perceber qual tipo de conselho a gente gostaria de ter recebido mais cedo. Organizar os gastos, se preparar para imprevistos, começar a investir… Imagina se você soubesse disso tudo desde a infância. Quem tem filhos ou qualquer pequeno na família tem um papel importante na formação financeira deles. Mas não se preocupe: dá para puxar o assunto durante atividades e passeios com as crianças, e sem ser chato.
Existem estudos que mostram que falar de finanças para as crianças pode ajudá-las a criar hábitos mais saudáveis com o próprio dinheiro. Até os sete anos, uma criança já tem boa parte dos conceitos financeiros moldados na cabeça, quando ensinada desde cedo, segundo uma pesquisa da University of Cambridge. Ou seja, quanto mais cedo, melhor.
As crianças precisam mais do que comida, saúde, educação e segurança. A ciência já mostrou que brincar precisa entrar na agenda dos pequenos porque é peça importante para o desenvolvimento infantil. E quando o assunto é dinheiro, as brincadeiras de criança podem, também, ser ferramenta importante na educação financeira infantil.
"Dependendo da idade, o cérebro da criança ainda está em formação e, por isso, precisamos utilizar os sentidos, como os olhos, o toque, a visão e a audição para que ela entenda alguns conceitos. E a brincadeira é fundamental nesse processo." — Ana Rosa Vilches, pedagoga, doutora em educação financeira e diretora da Dsop Educação Financeira.
Ou seja, usar brincadeiras para falar sobre dinheiro com as crianças não tem o objetivo de apenas deixar o aprendizado divertido e lúdico, mas tornar ele possível.
Por que falar sobre dinheiro com as crianças?
Porque a educação financeira infantil forma a base para que crianças se tornem adultos financeiramente mais saudáveis e responsáveis. E isso é possível porque os fundamentos desse aprendizado envolve trabalhar não apenas com números, mas com conceitos mais intangíveis, como a ideia de espera, tempo e valor.
"Com educação financeira desde cedo, a criança cresce entendendo que ela pode realizar o que ela quiser, desde que ela se organize para isso. E que as coisas não aparecem na casa dela com um passe de mágica." Ana Rosa Vilches, da Dsop.
"Ela se torna um adulto que sabe esperar e planejar", resume a planejadora financeira Elle Braude.
Essencialmente, esses aprendizados formam adultos menos ansiosos, que sabem que nem tudo é para ontem, mas a educação financeira infantil gera outros efeitos na idade adulta, segundo as especialistas.
Efeitos da educação financeira infantil na vida adulta
- Planejamento: tanto nas finanças como em qualquer outra área da vida, a educação financeira infantil dá os fundamentos do planejamento, a partir da criação de metas atingíveis;
- Padrão de vida possível: os adultos que aprendem a lidar com dinheiro desde cedo também entendem até onde podem ir com a renda que eles têm;
- Noção de tempo: uma das lições mais importantes a partir da educação financeira infantil é a relação entre o tempo e o dinheiro. As crianças crescem entendendo que quanto mais tempo elas têm para conquistar uma meta, menor é o esforço financeiro mensal delas;
- Menor endividamento: este é, inclusive, o efeito mais esperado pelos especialistas. E um estudo do Banco Central, realizado entre 2010 e 2019, já mostrou que ele é possível. A pesquisa identificou que jovens que tiveram aulas de educação financeira em um projeto piloto tendem a usar 9,03% menos o cheque especial e 6,75% menos o crédito rotativo do que os que não participaram do projeto.

No vídeo a seguir, o Arthur e sua mãe, o "menino da mesada", dão dicas financeiras que ninguém nunca te contou antes:
Como falar de dinheiro com crianças: o que os pais precisam fazer primeiro
Entender a importância de falar sobre dinheiro com os pequenos não basta. Para as especialistas, antes de criar brincadeiras de criança para introduzir conceitos financeiros, os pais precisam entender o próprio papel nessa formação e também conversar, entre eles, sobre a situação financeira da família.
"Somos os maiores provedores de crenças limitantes para os nossos filhos. Sempre falamos que não temos dinheiro para nada, reproduzimos frases como 'pensa que dinheiro cresce em árvore?' ou 'depois a gente compra'. Tudo isso afeta a forma como essa criança vai lidar com dinheiro quando adulta."
Elle Braude, planejadora financeira e mãe de trigêmeos de 7 anos de idade.
Por isso, antes de sentar com as crianças, a recomendação é que os pais comecem a criar uma comunicação mais transparente sobre dinheiro entre si. Confira algumas recomendações de como iniciar essa conversa:
- Ganhos: para quem não está acostumado, perguntar quanto o parceiro ganha pode ser bem difícil. Uma sugestão é que, em vez de verbalizar o valor, escreva ou mostre os demonstrativos de pagamentos um para o outro;
- Dívidas: a mesma estratégia vale para as dívidas. Neste caso, primeiro, é preciso ter clareza sobre elas. Se não souber, aproveite o momento para fazer esse levantamento em família. Nessa hora, mais importante do que ficar questionando como o outro fez aquela dívida, é perguntar como, juntos, vocês podem resolver a situação;
- Investimentos: caso tenha dinheiro investido, é importante que o parceiro saiba em qual ativo estão esses recursos, quanto e, principalmente, o motivo. Essa transparência ajuda nos próximos passos;
- Objetivos individuais: uma família é formada por pessoas únicas, que têm desejos e necessidades distintas. E essas diferenças precisam ser levadas em conta no planejamento financeiro para que ninguém sinta suas vontades anuladas. Por isso, deixe claro quais são seus objetivos individuais. Aqui, também, é importante não julgar o sonho do outro. As metas do seu parceiro não precisam ser as suas metas. Manter a individualidade dentro de uma relação é saudável e recomendável;
- Metas em família: quais são os objetivos da família? Eles precisam ser levados em conta e são eles que exigirão um esforço coletivo.
Preciso ter uma vida financeira perfeita para conversar com os meus filhos sobre dinheiro?
Não. Até porque, dependendo da idade do pequeno, a ideia não é falar sobre a situação financeira da família em detalhes, mas criar brincadeiras de criança para abordar as ideias por trás de alguns conceitos que estão no dia a dia da casa. Além disso, se a família tem dívidas ou está numa situação financeira mais difícil, é possível ensinar a partir dos próprios erros financeiros – desde que os pais tenham clareza de quais são os equívocos.
Apesar disso, as especialistas Ana Rosa Vilches e Elle Braude reforçam que as crianças absorvem muito do que veem. Por isso, aproveitar esse momento para fazer mudanças na vida financeira da família pode fazer a diferença no aprendizado dos pequenos.
Vilches, da Dsop Educação Financeira, conta que já identificaram, entre as mais de 2 mil escolas onde trabalham, que há uma relação entre o comportamento das crianças e a fatura do cartão de crédito dos pais, por exemplo.
"Percebemos que entre os dias 5 e 10, de todo mês, as crianças estavam mais elétricas, mais impacientes e brigavam muito. Investigamos e descobrimos que, dentre outras coisas, era o período que chegava a fatura do cartão dos pais, que discutiam sobre os gastos. A criança vê essas discussões e como ainda não sabe lidar com algumas emoções, ela se expressa do jeito que os pais se expressam."
Ana Rosa Vilches, da Dsop
Quais conceitos financeiros podem ser trabalhados com as crianças?
Segundo as especialistas, é possível ensinar às crianças conceitos que estejam no dia a dia delas e que sejam tangíveis. Não existe um consenso sobre a idade a partir da qual é possível trabalhar a educação financeira infantil. A própria OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) recomenda que esse processo deve começar o mais cedo possível e evolua com a criança.
"A abordagem precisa respeitar a idade e a fase da criança. Antes mesmo de trabalhar conceitos financeiros, por exemplo, é importante trabalhar a espera, o tempo das coisas: o momento certo de ganhar um brinquedo, de brincar, a hora do banho. Quando a criança entra na alfabetização, a gente consegue introduzir a questão das moedas, dos números. A partir do momento que ela aprende a somar, a contar, é possível avançar", afirma Braude.
Vilches afirma que é possível trabalhar ideias de trocas e metas com crianças a partir de 2 anos, evoluindo para conceitos como necessidade e desejo, compras, valor e hábito de poupar à medida que ela vai se desenvolvendo. A partir dos 12 anos, já é possível, com a ajuda da escola, ensinar sobre crédito, investimentos e juros.
7 brincadeiras de criança para fazer em casa
Para os pais que querem ter um tempo de qualidade com os filhos e aproveitar para introduzir conceitos sobre dinheiro e economia de forma lúdica, confira a seguir algumas ideias de brincadeiras de criança para fazer em casa – elas podem ser feitas com pequenos com idade entre 3 a 9 anos. Acima disso, já é possível ensinar esses sobre esses assuntos a partir de conversas mais diretas.
Vale reforçar também que o objetivo não é parar a brincadeira ou verbalizar "olha, isso é tal e tal conceito". Essas brincadeiras têm o objetivo de trabalhar as ideias por trás desses conceitos. Dependendo da idade, a criança não sabe que você está falando sobre metas, mas ao fazer atividades que envolvam uma recompensa, o sentido disso é trabalhado e compreendido pela criança.
1. Para falar sobre metas, desenhe
Estabelecer metas é a base da educação financeira. E é possível trabalhar esse tema com as crianças a partir de desenhos. Estimule os pequenos a colocar no papel aquilo que eles mais querem: pode ser um brinquedo, passear em algum lugar ou estar com alguém, por exemplo.
Com os desenhos prontos, faça uma "exposição" numa parede, mas organize os desenhos das crianças em forma de escada. A folha que estiver mais próximo dos seus filhos e na altura deles são das metas de curto prazo, e aqueles mais distantes e mais altos são os de médio e longo prazo.
Agora, brinque com a criança de "alcançar" o desenho. À medida que ela pega um papel, ajude-a a realizar aquilo que está desenhado. Por exemplo: de todos os desenhos feitos por ela, aquele mais fácil de realizar é o passeio com o cachorrinho da família. Então, assim que ela pegar esse desenho, já se organizem para esse passeio.
Depois, faça com que ela tente alcançar o desenho seguinte, e assim por diante. Essa brincadeira pode ser feita ao longo de um dia ou final de semana, ou ao longo de algumas semanas. Não tenha pressa. A ideia é que a criança perceba que justamente aqueles desenhos que estão mais próximos dela são os mais fáceis de pegar e de realizar. E que os mais altos são os mais difíceis de pegar e, portanto, também de realizar.
Nesse primeiro momento, quem define quais são as metas mais difíceis ou simples de realizar são os pais, mas dependendo da idade da criança, já é possível estimular que ela faça essa distinção.

2. Que tal uma gincana para falar sobre planejamento e noção do tempo?
No planejamento financeiro, o tempo é chave para a realização dos objetivos. Para falar sobre isso com as crianças, sem ser literal, crie uma gincana em família. Escreva em um painel (pode ser uma lousa) algumas atividades e, para cada uma delas, estabeleça uma quantidade de pontos. A ideia desse jogo é que ele aconteça, pelo menos, ao longo de dois dias a uma semana. O objetivo é trabalhar a espera.
Cada pessoa da família terá diferentes tarefas com pontuações diferentes, mas a soma de pontos de cada um é igual. Cada participante realiza as atividades listadas ao longo do período estabelecido para o fim do jogo (uma semana, por exemplo). Para essa brincadeira, é preciso que alguém da família atue como um juiz e avalie se a atividade realmente foi cumprida. Vence o jogo quem tiver mais pontos ao fim do período.
Nessa brincadeira, é importante que as atividades sejam um misto de tarefas divertidas e outras nem tanto, como por exemplo: pular corda por um minuto, limpar o xixi do cachorro, tirar o lixo da cozinha, acertar a bola na cesta de basquete. Além disso, é preciso distribuir essas atividades ao longo do período do jogo.
Dependendo da idade das crianças envolvidas, é importante garantir pequenas recompensas ao fim de cada atividade, principalmente se elas não forem tão divertidas. Pode ser um doce ou até moedinhas para um cofrinho, por exemplo. A recompensa final precisa ser algo que a criança queira muito, como um dia no parque, por exemplo.
As tarefas não podem estar relacionadas à rotina das crianças, como lição da escola, arrumar o quarto, tomar banho etc. Esse tipo de atividade, segundo as especialistas, precisam ser entendidas pelas crianças como algo recorrente e não podem ser feitas mediante recompensa.
3. De onde vem o dinheiro? A brincadeira das profissões explica
Dependendo da idade das crianças, é difícil explicar de onde vem o dinheiro que os pais usam para comprar o que elas querem. Uma maneira de inserir esse conceito na realidade delas é a velha brincadeira das profissões. Crie fantasias de profissões que são facilmente identificadas pelas crianças, como bombeiro, médico, professor.
Depois, simule atividades dessas profissões com eles. Para cada tarefa concluída, recompense com moedinhas: podem ser verdadeiras ou de chocolate, dependendo da idade da criança. Por exemplo: a cada "incêndio" que sua filha vestida de bombeira "apagar", ela recebe esse pagamento.
À medida que fizer isso, faça um paralelo com você e o seu salário. Pode ser explicando que, assim como você, ela fez um ótimo trabalho e, por causa disso, vai receber o salário dela. E com esse salário ela pode comprar as coisas que quer. Com essa brincadeira de criança simples, elas começam a entender que o dinheiro dos pais chegam a partir do trabalho deles.
4. Brincar de ir às compras ajuda a entender sobre "gastar mais do que ganha" e consumo
Brincar de mercadinho é uma oportunidade de explicar que não é possível gastar mais do que se ganha, e inserir o conceito de consumo. Essa brincadeira funciona melhor com crianças que já têm familiaridade com números. Pegue alguns itens da própria casa e os organize na sala, imitando um mercado. Coloque preços em cada produto.
Dê para as crianças uma quantidade de notas ou moedas de brinquedo, e diga que elas podem comprar o que elas quiserem com aquele dinheiro de mentira. Ao finalizar suas compras, os pais fazem as contas para saber se as crianças podem mesmo comprar o que pegaram. Caso o dinheiro não seja suficiente para tudo, é o momento de fazê-las escolher o que querem levar e o que querem deixar para trás.
Estipule o preço dos produtos e, ao longo da brincadeira, inverta os papéis: primeiro a criança pode ser a pessoa vendedora e, em outra, a cliente. Você pode montar uma lista de compras para ajudá-la a escolher os itens de acordo com o dinheirinho reservado para a brincadeira.
5. Para ensinar a poupar, construa o seu próprio cofrinho
O bom e velho cofrinho é um aliado na hora de ensinar as crianças sobre o hábito de poupar. Contudo, em vez de comprar um pronto, é mais divertido criar um cofrinho personalizado, a partir de materiais simples, da própria casa, como uma latinha, uma garrafa pet e até caixas de sabão em pó.
Estimule a criatividade dos seus filhos a partir de materiais cada vez mais inusitados, como unir diversos rolos de papel higiênico com fita adesiva de maneira a criar um cofrinho com o formato de um cachorro, por exemplo. Use tintas para finalizar a criação e coloque as primeiras moedas.

No vídeo a seguir, saiba o passo a passo para abrir uma conta para menores no Nubank:
6. Leilão de brinquedos para entender sobre valor e preço
Para falar sobre a diferença entre valor e preço, e ainda inserir a ideia de consumo consciente, é possível brincar de leilão. Para essa brincadeira ser divertida, ela exige a participação de, pelo menos, duas crianças que já precisam ter alguma noção sobre números. Dê a elas uma quantidade igual de dinheiro de brinquedo e, com a ajuda delas, escolha alguns brinquedos para serem doados.
Enfileire os brinquedos na frente delas e diga que elas podem recuperar alguns, se pagarem por eles com o dinheiro que receberam. Para cada brinquedo, os pais exigem um valor inicial de lance. E as crianças precisam dar lances maiores, como num leilão, para arrematar o item.
A todo momento, os pais precisam lembrar as crianças sobre o valor que elas têm em mãos e para que elas arrematem aquele brinquedo que elas realmente querem de volta. Ou seja, não adianta dar lances e gastar dinheiro com aquilo que elas não querem, que não têm mais valor para elas. Ao fazer isso, os pais já começam a trabalhar a ideia de preço e de valor.
7. Uma torre de juros compostos
Juros compostos é um conceito difícil de entender até para muitos adultos, mas é possível já trabalhar a ideia por trás dele com crianças a partir dos 5 anos.
Funciona assim: pegue blocos de montar, como aqueles de madeira, e construa uma base. Depois, diga para a criança que para cada peça que ela conseguir equilibrar na base, os pais precisam colocar mais duas. E para cada duas peças, os pais colocam quatro, e para cada quatro peças seguidas, os pais colocam oito e assim por diante. É possível, e mais divertido, brincar dessa forma com latinhas.
Com essa brincadeira simples, a criança entende que é possível construir a torre mais rápido a partir das peças que ela conseguir equilibrar. Ou seja, quanto mais peças seguidas ela equilibrar, mais peças os pais terão que montar.
Como falar de dinheiro em atividades para crianças
É claro que, nessa fase, não dá pra começar com planilhas, nem cálculos complexos. Esqueça todas as coisas chatas que te fizeram não pensar sobre finanças na vida adulta: com os pequenos, a proposta é outra. Aprenda a explorar a imaginação e incluir o dinheiro em exemplos cotidianos e cativantes durante atividades e passeios com as crianças, dentro e fora de casa. Confira algumas dicas abaixo:
1. Para ensinar a diferença entre preço e valor, vá ao cinema
Um passeio com as crianças simples pode render uma aula divertida sobre preço e valor. Uma ida ao cinema nunca é só sobre o filme: a experiência geralmente envolve um belo combo de pipoca, bebida e outras guloseimas. Antes de sair de casa, além de definir com a criança a escolha do título, estabeleça também um acordo sobre quais serão os gastos previstos no passeio.
A compra da pipoca, por exemplo, pode gerar lições sobre custo-benefício. É comum a diferença de preço entre os combos ser pequena – afinal, a ideia é que você pense que o combo mais caro compensa mais.
É aí que entra a diferença entre preço e valor. O preço é o custo do combo. Mas o valor é o que esse combo representa para você e sua família naquele momento juntos. Neste caso, será que vale mais a pena um único combo grande, para dividir com toda a família, ou dois combos médios?
Fazendo essa comparação, e explicando o custo e o valor de cada item, você treina o olhar da criança sobre o que compensa mais ao final da escolha.
2. Quer mostrar o peso de uma escolha? Faça um piquenique
Um passeio com as crianças no supermercado não parece muito divertido. Mas fazer um piquenique no quintal de casa ou num parque é a desculpa perfeita para levar os pequenos para esse ambiente que pode ensinar muito sobre limites.
Uma vez lá dentro, você pode conduzir um experimento educativo: separe uma quantia de dinheiro e permita que, com ela, a criança possa escolher o que quiser comprar para levar ao piquenique.
Pode ser que ela corra em direção ao chocolate mais caro, só porque ele vem com um brinquedinho. Nessa hora, você pode explicar que vale mais a pena pegar de uma outra marca e levar três chocolates pelo preço de um. Vale até lembrá-la que, no piquenique, outras crianças podem levar brinquedos ainda mais legais que aquele.
Agora, se ela realmente quiser o chocolate mais caro, tudo bem: o importante é que ela entenda o preço dessa escolha e saiba que, nem sempre, é possível ter tudo.
3. Um jogo de tabuleiro para ensinar sobre organização financeira
Jogos de tabuleiro (principalmente os que demandam estratégias) são mais uma opção divertida para falar de quantias, valores, escolhas e conceitos financeiros que às vezes soam distantes ou abstratos.
O Jogo da Vida da Estrela é um exemplo disso. O objetivo da partida é fazer com que o jogador alcance a própria independência financeira. Para chegar lá, ele passa por um tabuleiro com diferentes situações da vida real (como casar, ter um emprego e comprar uma casa) e se vê obrigado a tomar decisões que podem acabar ou multiplicar o dinheiro de uma rodada para a outra.
4. Invente brincadeiras para treinar habilidades de negociação
Você não precisa inventar um passeio com as crianças para ensiná-las sobre dinheiro. É possível planejar brincadeiras com coisas que já existem em casa e treinar a habilidade de negociação da criança.
Pegue itens da sua despensa e monte um mercadinho de mentira. Você pode usar alimentos, produtos de higiene e até peças de roupa. Depois, use um pedaço de papel para desenhar e recortar pequenas notas de dinheiro que serão usadas na brincadeira.
Estipule o preço dos produtos e, ao longo da brincadeira, inverta os papéis: primeiro a criança pode ser a pessoa vendedora e, em outra, a cliente. Você pode montar uma lista de compras para ajudá-la a escolher os itens de acordo com o dinheirinho reservado para a brincadeira.
5. Para ensinar sobre guardar dinheiro, vale montar um cofrinho
Um bom jeito de estimular a criança a poupar é criando um cofrinho. Você pode comprar um e presenteá-la, mas a interação e conexão em família será ainda maior se você construir um do zero com ela.
Use garrafa pet, tinta guache e outros acessórios de papelaria para montar um potinho ou um porquinho onde ela possa armazenar dinheiro de verdade. Você pode encerrar a tarefa oferecendo uma moedinha e combinando uma data no futuro para abrir o cofrinho.
Sua família é mais tecnológica e as crianças já estão crescidas? Crie estratégias para incentivá-las a guardar dinheiro no app do seu banco. Uma ideia é combinar que você vai depositar um valor a mais para cada quantia que a criança guardar no app. Por exemplo: você deposita R$ 5 do seu bolso para cada R$ 30 que ela depositar da semanada ou mesada.
"Na volta a gente compra" — como lidar com essa frase e criar uma relação honesta com o dinheiro
É final de semana e você decide levar os filhos para um passeio no shopping. Chegando lá, se depara com vitrines que despertam nos pequenos o desejo de comprar tudo o que aparece pela frente. Aí, as mesmas crianças que crescem ouvindo que "mentir é feio", em contrapartida, ouvem dos pais a velha promessa "na volta a gente compra" para negar a vontade da criança, em vez de falar com sinceridade sobre a situação financeira.
Claro que existem casos particulares e que nem sempre dá para expor toda a realidade financeira da família, sobretudo porque a idade influencia diretamente na capacidade de compreensão de determinados temas. Mas as crianças são seres cheios de curiosidades e crescer é um processo repleto de nuances. Por isso, falar a verdade deve ser uma prática cultivada desde a infância.
"A gente tem dificuldade de enxergar a criança como um ser humano inteiro, como alguém que está vivendo situações, notando o que acontece na família e que tira as próprias conclusões. E isso se junta com a nossa dificuldade de falar sobre dinheiro." — Elisama Santos, psicanalista e educadora parental.
Afinal, como mentir sobre dinheiro pode prejudicar as crianças? Saiba, abaixo, o que especialistas em psicologia e educação recomendam para criar uma relação mais saudável entre todas as pontas: pais, filhos e o dinheiro.
Falando em perguntas sinceras, confira as perguntas financeiras que o Arthur, o "menino da mesada" fez aos pais no vídeo a seguir:
Dizer 'na volta a gente compra' é prejudicial?
Provavelmente, você já deve ter escutado essa frase quando era pequeno, em qualquer contexto de compras – um passeio por lojas, uma ida ao supermercado, uma viagem. Usar o "na volta a gente compra" é considerado uma daquelas mentirinhas inofensivas que os pais contam para resolver a situação sem conflito. Mas, para os filhos, essa "mentirinha" pode gerar um falso sentimento de esperança e normalizar o ato de mentir.
A lógica é a seguinte: se os adultos mentem com frequência e estabelecem limites a partir das mentiras, a criança entende que pode mentir também.
"Nesse ciclo, criamos gerações de pessoas que têm dificuldade de olhar e cuidar da própria grana." — Elisama Santos.
Reflexos que vão além do financeiro
E as consequências de esconder a verdade não param por aí. Ainda que cada família tenha suas questões individuais, que ultrapassam qualquer demonstração de fatos sobre as finanças, o debate entre verdade e mentira na arte de educar é mais profundo. Assim, a psicanalista e educadora parental destaca como a formação dos laços de confiança entre pais e filhos pode se abalar nesse contexto.
"Quando o adulto fala uma coisa e a realidade se mostra outra, a criança para de confiar nele. Ela passa a pensar 'como eu vou ter segurança no que eles me contam se eles falam uma coisa e agem de jeito diferente?'. A relação de confiança entre a criança e o adulto é essencial para que ela se sinta segura no desenvolvimento. Se, como criança, eu me sinto insegura no que ele me diz, eu passo a me sentir ansiosa e responsável por aspectos da minha vida que não fazem parte da infância." — Elisama Santos.
É claro que nem sempre essas dúvidas e questionamentos acontecem de forma consciente, mas podem marcar inconscientemente a maneira como os pequenos formam sua visão de mundo.
Elisama Santos aponta outro reflexo dessa rede de insegurança, que é capaz de afetar a autoestima e a autoconfiança dos filhos.
"A criança começa a desconfiar dela. O adulto mente, mas ela pode interiorizar essa ideia, achando que o problema está em si – eu entendi errado, eu que criei expectativas. Esse é um jeito que a criança encontra de projetar a confiança nesse adulto, porque ela entende que precisa acreditar que ele está fazendo o que é melhor para ela." — Elisama Santos.
Então, colocar uma lupa nesse tipo de comportamento ajuda a construir um relacionamento melhor entre pais e filhos, e com a vida financeira, além de contribuir para uma educação pautada na honestidade. Ou seja, ter conversas sinceras sobre as compras não favorece só a relação com o dinheiro, como também é uma forma de oferecer mais segurança às crianças em casa pensando no longo prazo e no seu desenvolvimento.
Por que é tão difícil abrir o jogo com os jovens sobre dinheiro?
O fato é: conversar sobre dinheiro é considerado um tabu, independentemente da faixa etária, e a dificuldade se intensifica na fase adulta, com graves consequências. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva mostrou que 46% das pessoas têm ansiedade em relação à própria situação financeira, por exemplo.
Metade dos brasileiros evita sequer pensar sobre dinheiro, de acordo com dados de um estudo realizado pelo Datafolha com a consultoria Box1824. Já a outra metade só fala de modo bem superficial, e mais de 60% nunca falaram nem quanto ganham. Ou seja, se pensar no assunto já é uma grande dificuldade para os adultos, imagina ter uma conversa sincera com as crianças.
Além do tabu, às vezes o "na volta a gente compra" pode sair como uma promessa que acalme a criança até que ela se distraia e esqueça para que não fique chateada ou abra o berreiro em público. Mas vale ressaltar que nem sempre será possível satisfazer todos os desejos das crianças e aprender os limites e lidar com a frustração também fazer parte do crescimento.
Contudo, já dá para ver uma luz no fim desse túnel. Não por acaso, estudos recentes confirmaram que os diálogos abertos e a educação financeira são capazes de ajudar os jovens a fazerem melhores escolhas financeiras no futuro. E essa trajetória inclui tentar encarar o dinheiro com mais leveza, como romper o paradigma de que uma dívida é um enorme problema, e entender que algumas condições são passageiras.
Então, como dizer a verdade para os jovens sobre dinheiro?
Entre mentirinhas, tabus e números ocultos, quando o dinheiro entra no papo com as crianças, os especialistas afirmam que é importante dar mais atenção para a forma como aquele tema será introduzido do que o assunto em si.
O poder das palavras
Para a professora e pesquisadora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) Leila Salomão Tardivo, é necessário que os pais tenham cuidado com o tom das palavras, equilibrando as discussões sobre consumo e responsabilidade, sem deixar de lado os dilemas que fazem parte da infância.
"O dinheiro não deve ser um tabu. É preciso ter claro que nem tudo o que a gente quer, a gente pode ter. Isso precisa ser ensinado desde cedo, com equilíbrio. Porque, do outro lado, a criança não pode se sentir sobrecarregada com o excesso de 'não pode, não tem', e achar que é responsável pela saúde financeira dos pais." — Leila Salomão Tardivo, Instituto de Psicologia da USP.
Além disso, a psicóloga enfatiza que a idade das crianças não pode ser desconsiderada. Os pais devem levar em conta que para cada faixa etária existe um tipo de conversa, com tom e abordagem que facilitam a compreensão da criança.
"No caso dos pequenos, os pais têm que falar em um nível que a criança entenda, como 'vamos deixar para depois' ou 'vamos escolher algo que a mamãe possa comprar'. Para os mais velhos, o papo pode ser outro, expondo um pouco mais da realidade, tranquilizando a criança de que aquela é uma circunstância momentânea e que os pais estão cuidando para que não lhes falte nada." — Leila Salomão Tardivo.
Normalizar o "querer"
Já a psicanalista Elisama Santos defende a importância de acolher os sentimentos das crianças com paciência, para que a comunicação seja mais efetiva, priorizando que ela aconteça depois do momento de frustração.
A gente tem a mania de lidar com o querer da criança de maneira intransigente. Não basta negar, a gente quer mostrar que o querer dela é equivocado. Então, eu convido os pais a normalizarem esse querer. Nós vamos dizer não, esse é o nosso papel. Mas vamos ajudá-los a entender essa frustração, acolher essas vontades. E, depois que o choro passar, vamos conversar sobre o consumismo, sobre a forma consciente de lidar com o dinheiro. Fazer com que elas entendam que desejar faz parte, mas nem sempre será possível. — Elisama Santos.
Na volta a gente compra… ou não?
Tem dias e casos em que a vontade de dizer sim fala mais alto – e se você achar que vale a pena satisfazer um desejo, pense em como pode equilibrar as contas para não prejudicar o orçamento da família. Agradar os filhos é parte do desafio dos pais. Porém, também existem maneiras de evitar que a situação fuja do controle.
Você pode usar a prática de esportes, por exemplo, como uma oportunidade para iniciar o assunto sobre dinheiro, adaptando a atividade para facilitar a compreensão dos filhos, sem, necessariamente, envolver alguma vontade específica ou conflito.
Evitar situações que podem instigar o comportamento de consumo, como levar as crianças a uma loja de brinquedos com frequência ou expô-las a propagandas agressivas, pode ser uma alternativa eficaz para tirar a compra do centro das atenções.
E, num mundo tão digital, nem sempre fica claro para as crianças que o dinheiro que usamos pode acabar. Por esse motivo, a educação financeira infantil se torna essencial para transformar as crianças em adultos responsáveis e com qualidade de vida.
Educar é um desafio contínuo
Elisama Santos destaca que as mudanças de comportamento não acontecem de uma hora para outra. Cabe aos pais e mães refletirem sobre o modo como querem que os filhos os veja e que tipo de relacionamento eles podem construir juntos.
"Gosto de pensar que, como pais, somos anfitriões na educação dos nossos filhos. Eu estou recebendo eles em um lugar que eles não conhecem. Por mais que não seja a pessoa que mais sabe tudo da vida, eu tenho algum conhecimento a mais. E é a minha responsabilidade ajudá-los a lidar com esse mundo desconhecido. Se eu olho meu papel como alguém que precisa governar e moldar essa criança, não vamos construir uma relação saudável entre nós e ela consigo mesma. Como anfitriã, eu te ajudo e vou aprendendo diversas coisas. Vamos crescendo juntos." — Elisama Santos.
Conteúdos sobre dinheiro para crianças
Se entre os adultos falar sobre dinheiro já é uma questão delicada, imagine quando o assunto chega até as crianças. As palavras usadas para abordar o assunto, as primeiras compras por conta própria, os exemplos dentro de casa – tudo pode influenciar no desenvolvimento para o futuro. E para criar adultos informados e responsáveis com o próprio dinheiro, o esforço precisa começar desde cedo.
A missão do Nubank é ajudar as pessoas a terem mais controle sobre a sua vida financeira. Por isso, conteúdos que auxiliam pais, familiares, tutores e educadores a começarem a falar sobre educação financeira infantil também fazem parte desse processo.
Abaixo, confira uma seleção de conteúdos sobre crianças, dinheiro e formas de trazer as finanças para o centro das conversas com os pequenos.
1. 'Na volta a gente compra': por que mentir sobre o dinheiro pode prejudicar as crianças?
Essa frase pronta é uma velha conhecida dos adultos e pode até ser um alívio instantâneo para negar a vontade da criança em vez de falar sobre a situação com sinceridade. Mas, no longo prazo, ela não resolve o real problema: entender a importância do controle financeiro é um trabalho longo, e que deve começar cedo.
Saiba o que especialistas em psicologia e educação recomendam para criar uma relação mais saudável entre todas as pontas: pais, filhos e o dinheiro.
2. Educação financeira infantil: precisamos falar de dinheiro com as crianças
Educar uma criança envolve apresentar a ela aspectos e exemplos didáticos sobre temas que farão parte da vida como um todo, para que ela possa fazer melhores escolhas no futuro. E o conceito de educação financeira, quando é claro na vida das pessoas, permite melhorar a compreensão em relação aos produtos e serviços financeiros, tornando as escolhas mais conscientes. Ou seja, é a habilidade de entender como o dinheiro funciona. Educação financeira é um tópico que precisa ser central nas conversas entre pais e filhos.
3. Finanças para os pequenos: 5 formas de falar sobre dinheiro sem ser chato em atividades e passeios com as crianças
Você já sabe que falar sobre finanças é uma parte da construção de um relacionamento mais saudável com a vida financeira – mas o papo não precisa ser maçante. Dá para introduzir o assunto com os pequenos de um jeito lúdico, divertido e que envolva toda a família.
4. O que a prática de esportes tem a ver com a educação financeira infantil?
Se você pratica algum esporte, pode aproveitar esse momento para ensinar as primeiras lições financeiras para os seus filhos ou qualquer criança que faça parte da sua vida. Além de facilitar o aprendizado de temas que parecem complexos, como é o caso da educação financeira infantil, o esporte também carrega lições que se conectam com os primeiros passos de uma vida financeira saudável.
5. Lições da corrida de rua que podem ser ensinadas aos seus filhos e que têm tudo a ver com dinheiro
Falando em esportes, a corrida de rua é um dos esportes mais praticados no mundo e ainda traz lições que extrapolam o universo esportivo. Esse aprendizado pode ser passado para as crianças de qualquer idade, e até ajuda no planejamento financeiro.
6. Filmes para assistir com a família: produções que ensinam sobre dinheiro, consumo e escolhas
Ainda na missão de introduzir as finanças com mais leveza para as crianças, os filmes têm um papel fundamental nessa história. Nem toda produção que aborda dinheiro de forma direta ou indireta precisa ser chata, densa e complicada.
7. Como e quando começar a dar dinheiro para as crianças?
Depois de entender a importância de conversar sobre finanças e conhecer estratégias para introduzir o papo, é hora de colocar os ensinamentos em prática. Então qual é o melhor jeito de fazer isso? A partir de que idade? E quanto dinheiro dar a elas?
Confira o que dizem algumas pesquisas e as dicas de uma especialista em investimentos e educação financeira.
8. Da mesada ao investimento: como ensinar as crianças a guardar dinheiro
Aprender a guardar dinheiro também é um ponto essencial para uma melhor relação com a vida financeira. Para isso, é necessário proporcionar um impacto direto no cotidiano das crianças com a educação financeira.
Entenda como incentivar as crianças a pouparem dinheiro e se tornarem adultos conscientes financeiramente.
9. Consumismo x consumo consciente: como ensinar aos filhos os limites das comprinhas?
Além de ensinar a lidar com a grana e a poupar algum dinheiro, os pais ainda encontram o desafio de ajudar as crianças a terem limites em meio a tantos estímulos de consumo. Importante dizer que dar exemplo não significa perfeição. É possível ensinar limites aos filhos a partir das consequências dos próprios tropeços financeiros.
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Este conteúdo faz parte da missão do Nubank de devolver às pessoas o controle sobre a sua vida financeira. Ainda não conhece o Nubank? Saiba mais sobre nossos produtos e a nossa história.




