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Educação financeira para jovens: como prepará-los para lidar com dinheiro desde cedo

Da mesada aos investimentos: hábitos, estratégias e ferramentas para ajudar crianças e adolescentes a criarem uma relação mais saudável com o dinheiro.
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Não é nenhum segredo que o exemplo é uma das principais formas de aprendizado para as crianças. Elas observam como seus pais e cuidadores falam, comem, reagem a situações e interagem uns com os outros.

E, quando o assunto é dinheiro, a lógica é a mesma. É por isso que, por mais que as famílias tentem incentivar a educação financeira infantil, é fundamental adotar bons hábitos financeiros no dia a dia, pois eles servirão de modelo para os pequenos.

O mesmo vale para adolescentes, que apesar de já compreenderem a importância do tema, a energia da idade pode criar relações não muito responsáveis com as finanças.

Se a educação financeira para jovens for aplicada em conjunto pelas famílias e escolas, ainda pode trazer outros impactos positivos na vida adulta, segundo Cássia D'Aquino, psicanalista e consultora financeira internacional para criação e desenvolvimento de programas de educação financeira.

"Um adolescente que tenha sido levado a compreender os limites em relação ao dinheiro desde a infância, tende a ser um estudante melhor e menos interessado no uso de drogas e álcool, porque ele vai aprendendo a habilidade de negociar os próprios desejos desde pequeno", diz.

A psicanalista e consultora ainda esclarece sobre as complicações para educar financeiramente alguém nessa fase da vida. "A adolescência não é a fase de ouro para iniciar a educação financeira, porque é um período de embate e muita tensão com os pais, com o mundo e com eles mesmos, mas é possível. E quanto mais cedo, mais fácil será."

Por que falar de dinheiro com crianças e adolescentes desde cedo?

Em qualquer ida ao mercado, é comum ver uma criança escolhendo algo na prateleira. O que poucos pais percebem é que esse pequeno gesto já é contato com dinheiro. Especialistas em educação financeira reforçam que esse contato acontece muito antes do que os adultos imaginam, mas a conversa sobre como lidar com esse assunto, na maioria das vezes, vem tempos depois, ou nem vem.

O conceito de "educação financeira" vai além de aprender a poupar: segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), trata-se do processo que ajuda uma pessoa a compreender melhor produtos e serviços financeiros, tornando-a capaz de tomar decisões bem informadas sobre o próprio dinheiro.

A pedagoga e professora infantil Mariana Calazans explica que não há como assegurar uma idade fixa para tratar sobre educação financeira com os pequenos, mas que a partir dos 4 a 5 anos já é uma fase em que a criança começa a ter certa maturidade para entender o assunto:

É um momento interessante, porque é quando a criança tem maturidade para começar a perceber esse universo. Nessa fase elas ainda pensam de forma muito concreta — não adianta trazer conceitos abstratos. O caminho é mostrar o dinheiro, deixar tocar numa cédula, mostrar que aquele brinquedo que ela quer equivale a uma determinada quantidade de dinheiro."

Essa janela de aprendizado tem impacto direto na vida adulta.Pois se a teoria mostra a importância de começar cedo, os números da realidade brasileira revelam o custo de não começar. Em junho de 2026, o país registrou 81,7 milhões de inadimplentes — o maior número de toda a série histórica do Mapa da Inadimplência da Serasa, após 18 meses consecutivos de alta. Entre eles, os jovens de 18 a 25 anos respondem por 11,45% do total — a menor fatia entre as faixas etárias, mas isso não significa que estejam livres do problema.

É justamente nesse contexto que introduzir o tema em casa, ainda na infância e na adolescência, faz diferença. A planejadora financeira Elaine Carreiro comenta sobre a importância da educação financeira estar presente desde cedo:

Quando ensinamos uma criança a diferenciar desejo de necessidade, a esperar para realizar algo ou a lidar com a frustração de uma escolha, estamos desenvolvendo habilidades que ela vai levar para a vida toda. A educação financeira vai muito além de ensinar a economizar: ela contribui para formar adultos mais responsáveis e menos impulsivos."

Educação financeira na infância vs. na adolescência: o que muda

Na educação financeira infantil, as brincadeiras e a interação com as atividades da rotina dos pais são ferramentas importantes que ajudam no ensino das primeiras lições financeiras. Na adolescência, a vantagem é que há maior compreensão sobre conceitos mais complexos.

Por outro lado, diferentemente da infância, quando os pais têm total controle sobre o consumo dos filhos, na adolescência esse comportamento não é mais pautado pelo que é dito em casa, mas no que esse jovem encontra nas redes sociais e nos códigos de conduta dos grupos aos quais ele quer pertencer. Além disso, há o fator da relutância natural dessa fase, que pode jogar contra os pais.

A tabela abaixo resume as principais diferenças entre as duas fases:

Educação financeira infantilEducação financeira para jovens
Principal referênciaPais e cuidadores (exemplo direto)Grupo social e redes digitais
Tipo de conversaExplicações simples e concretasPerguntas abertas, mais escuta do que instrução
Ferramentas típicasBrincadeiras, esporte, mesada com supervisão totalConta digital própria, simuladores, mesada com regras fixas
Papel dos paisControle quase integral do consumoSupervisão com autonomia progressiva
Maior riscoFalta de exemplo em casaPressão de consumo e influência de terceiros

Educação financeira para crianças: hábitos e formas práticas de ensinar

"Os hábitos financeiros são construídos nas pequenas atitudes do dia a dia: envolver a criança no planejamento de um passeio, mostrar que antes de gastar é preciso organizar o orçamento, incentivar que ela guarde dinheiro para um brinquedo que deseja, comparar preços durante as compras, explicar por que às vezes é preciso dizer não. O principal é que ela aprende muito mais pelo exemplo do que pelo discurso", explica Elaine Carreiro, especialista em planejamento financeiro.

5 hábitos financeiros para ensinar aos filhos

Confira cinco hábitos do dia a dia que, além de contribuírem para o orçamento familiar, ajudarão a mostrar para as crianças a importância de cuidar bem do dinheiro.

1. Poupar dinheiro regularmente

Gastar menos do que se ganha e guardar parte do dinheiro é a base de qualquer vida financeira saudável e um dos hábitos mais fáceis de repassar aos filhos. Ao envolver a criança nesse processo, os pais conseguem ensinar, na prática, o que é uma meta de curto e de longo prazo.

E o hábito de dar mesada pode ser justamente o ponto de partida: incentivar os filhos a guardarem parte dela para comprar um brinquedo que desejam ou para um passeio de fim de semana torna o objetivo concreto e alcançável. Conversar sobre a reserva financeira da própria família — de forma simples e adequada à idade — também ajuda a normalizar esse comportamento.

Da mesada ao investimento: como ensinar as crianças a guardar dinheiro

2. Criar um orçamento em família

Definir prioridades, planejar gastos e evitar desperdícios são vantagens diretas de manter um orçamento familiar. Esse controle pode ser feito de várias formas: uma planilha, um aplicativo ou até um caderno; e registrar o que entra e o que sai em um período determinado.

Manter esse hábito à vista das crianças ensina algo essencial: para guardar dinheiro e atingir objetivos, é preciso planejamento.

Planejamento financeiro e orçamento familiar: saiba as diferenças e por onde começar para se organizar

3. Diferenciar desejos de necessidades

Avaliar se uma compra é realmente necessária antes de fazê-la, e compartilhar esse raciocínio com os filhos, é um hábito que ajuda diretamente no autocontrole das crianças. Aos poucos, elas aprendem que consumo e consumismo são coisas diferentes: comprar itens necessários ou mesmo algo para lazer é uma coisa; acumular produtos que nunca serão usados é outra.

Esse aprendizado tem um efeito colateral importante: crianças que entendem a diferença entre desejo e necessidade tendem a evitar dívidas desnecessárias quando chegam à vida adulta.

O que é consumismo infantil e como dizer não para os filhos?

4. Refletir e pesquisar antes de comprar

Esse hábito é uma extensão do anterior. Ensinar os pequenos a comparar preços, qualidade e opções antes de comprar algo os ajuda a fazer escolhas mais conscientes; além disso, a lidar melhor com compras por impulso no futuro.

Uma ferramenta simples para essa reflexão é o conceito de custo de oportunidade: toda escolha financeira significa abrir mão de outra coisa. Antes de qualquer compra, vale a pergunta: "do que estou abrindo mão para fazer essa compra?".

Custo de Oportunidade: o que é e o que ele tem a ver com as suas decisões financeiras

5. Falar sobre dinheiro sem tabus

Esse, talvez, seja o hábito mais importante de todos: conversar sobre dinheiro abertamente. A educação financeira infantil não acontece em uma única conversa, mas em um processo contínuo. E isso só funciona se o tema deixar de ser tratado como tabu em casa.

Quando questionados, os pais não precisam evitar perguntas difíceis, mas também não devem sobrecarregar a criança com informação técnica demais. O caminho é mais simples: explicar o valor do dinheiro, o esforço por trás dele e o fato de que nem sempre ele é suficiente para tudo, conta Elaine Carreiro.

Quando os pais conversam sobre dinheiro de forma saudável, ou a criança vê que uma compra aconteceu porque houve planejamento, ela aprende esse comportamento naturalmente — não apenas pelo que ouve, mas principalmente pelo que vê dentro de casa".

Conhecido nas redes sociais por reagir aos preços e sempre querer economizar, o pequeno Arthur, de 8 anos, e sua mãe, Jaqueline Oliveira, compartilham algumas dicas preciosas sobre educação financeira. Confira no vídeo a seguir:

https://www.youtube.com/watch?v=ffvbZgrjMPw

Mesada: regras, valor médio e o que fazer com dinheiro extra

A mesada para os filhos é uma das ferramentas mais usadas pelas famílias brasileiras para ensinar gestão financeira, limites de consumo e construção de metas. Segundo pesquisa da Serasa, 39% dos pais ouvidos dão mesada aos filhos, e entre eles, 62% pagam um valor médio mensal de R$ 100.

Para que a mesada funcione como ferramenta de aprendizado, alguns cuidados fazem diferença:

  • Evite variar o valor ou a data de pagamento. Quando a criança recebe sempre a mesma quantia no mesmo dia, ela desenvolve a capacidade de planejar e de esperar.
  • Não misture mesada com recompensa por tarefas do dia a dia. Atividades que já fazem parte da rotina, como arrumar o quarto ou ter bom desempenho escolar, não deveriam ser "pagas" — isso pode distorcer a relação da criança com responsabilidade e dinheiro.
  • Tenha regras claras para valores extras. Presentes de aniversário ou dinheiro dado por avós e tios não precisam ser vetados, mas podem ser direcionados, em parte, para uma meta futura — reforçando o hábito de poupar.

Educação financeira com esportes

Correr, pedalar, nadar, jogar futebol: pouco importa a modalidade, a prática esportiva em família pode ser uma boa oportunidade para as primeiras lições de educação financeira infantil.

Segundo pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box divulgada em outubro de 2025, 53% dos pais brasileiros começaram a falar sobre finanças com os filhos antes dos 8 anos, e 26% antes mesmo dos 6. O interesse existe — mas transformar conversa em hábito exige recursos práticos, e é aí que atividades como o esporte podem ajudar. 

Na prática, podemos relacionar cada etapa de uma atividade esportiva com um aprendizado da vida financeira:

Atividade esportivaLição financeira
Escolher um esporte e definir uma meta (ex: participar de uma competição)Definir um objetivo financeiro, como juntar dinheiro para algo específico
Entender a própria condição física e a realidade da famíliaFazer um raio-x financeiro: entender receitas, despesas e dívidas antes de agir
Preparar-se antes de competir (treino, equipamento)Montar um plano com etapas e tarefas para atingir a meta
Praticar continuamente, mesmo sem resultado imediatoManter a consistência de poupar todo mês, mesmo em pequenas quantias
Trocar de esporte se ele deixar de fazer sentidoRevisar e ajustar metas financeiras conforme a realidade muda
Aproveitar o momento e se divertirEquilibrar os desejos do presente com os planos de longo prazo

Brincadeiras e jogos do dia a dia

Além do esporte, brincadeiras simples do cotidiano também servem como ferramenta de ensino. Jogos de tabuleiro que envolvem compra e venda, "mercadinho" de brinquedo ou até simulações de troco ajudam a criança a lidar com números e decisões financeiras de forma lúdica, sem a pressão de uma "aula" sobre o tema.

A pedagoga Mariana Calazans explica que não tem como trazer o assunto só no abstrato, pois as crianças precisam vivenciar:

Um exemplo simples são os mercadinhos de brinquedo, que vêm com notinhas de dinheiro de mentira — hoje é possível até baixar essas notas na internet. Isso trabalha tanto a percepção financeira quanto o raciocínio matemático, porque a criança precisa calcular se o dinheiro que ela tem é suficiente para a compra".

7 brincadeiras de criança que podem ajudar os seus filhos a entender sobre economia e dinheiro

Investimentos para os filhos: vale a pena começar cedo?

Brinquedos, eletrônicos, roupas, uma viagem: em datas como o Dia das Crianças ou o Natal nunca faltam opções para agradar os pequenos. Mas para famílias que querem ir além do presente do momento, incluir investimentos na lista pode ser uma forma de unir dois objetivos — contribuir para a educação financeira infantil e ajudar a construir o futuro dos filhos.

Ainda é baixo o número de famílias brasileiras que investem para as crianças. Segundo a pesquisa Finanças para os Filhos: Dinheiro é Coisa de Adulto?, realizada pela Serasa com o Opinion Box, 72% dos pais entrevistados não fazem nenhum tipo de investimento ou poupança para os filhos atualmente — mas 49% desse grupo afirma que pretende começar no futuro.

Onde investir para os filhos: principais opções

Segundo Pedro Mota, economista e especialista em investimentos do Nubank, as melhores alternativas para uma carteira voltada a crianças são as que priorizam o longo prazo. Duas famílias de títulos do Tesouro Direto se destacam nesse cenário: o RendA+ e o Educa+, além de opções de previdência privada.

InvestimentoObjetivoPrazoComo funciona
Tesouro RendA+Complementar a aposentadoriaLongo prazoPaga 240 parcelas mensais (20 anos), com data de conversão escolhida entre 8 opções
Tesouro Educa+Custear estudos5 anos de recebimentoParcelas mensais corrigidas pela inflação, com 16 datas de início possíveis, de 2026 a 2041
Previdência privadaConstrução de patrimônio flexívelDefinido pelo investidorQuanto maior o tempo de permanência, menor o imposto no resgate

Ambos os títulos do Tesouro têm parte do rendimento atrelada ao IPCA — o índice que mede a inflação oficial do país —, o que garante ao investidor uma rentabilidade real, ou seja, acima da inflação, preservando o poder de compra ao longo dos anos. Para simular valores e prazos, o Tesouro Direto disponibiliza um simulador oficial, útil para famílias decidirem o título mais adequado à realidade financeira.

Já na previdência privada, o principal atrativo é o benefício tributário: no regime regressivo, a alíquota do Imposto de Renda cai a cada dois anos, começando em 35% e podendo chegar a 10% após 10 anos de aplicação. 

Pedro Mota reforça, porém, que é preciso avaliar as taxas de administração antes de escolher um plano: segundo ele, uma previdência de renda fixa tradicional com taxa acima de 1% ao ano, ou fundos multimercado e de ações com taxa acima de 2%, tendem a ser excessivamente caros.

Como decidir quanto e quando investir

Não existe uma fórmula única — a resposta depende da realidade financeira de cada família. Para Pedro Mota, o mais importante é ter um planejamento que garanta constância, mesmo que os valores aportados variem mês a mês. Ele recomenda estabelecer uma meta anual, seja em número de aplicações ou em valor total acumulado, sem rigidez excessiva no dia a dia:

Vai ter mês que você vai conseguir investir menos porque teve algum gasto extraordinário, vai ter mês que você vai conseguir investir mais. Mas ter essa recorrência mensal é muito bacana. Quando passar 5, 10 anos, você vê o efeito daquilo tudo numa janela maior e o resultado é muito poderoso."

Todo o processo de investir para os filhos também pode virar conteúdo de educação financeira. Vale explicar, de forma adequada à idade, por que aquele dinheiro está sendo guardado e por que o resgate só vai acontecer daqui a alguns anos — reforçando, na prática, a mesma lição de paciência e planejamento já trabalhada nos hábitos e nas atividades práticas.

Educação financeira para jovens: desafios e estratégias

Se na infância o principal desafio é encontrar formas concretas de apresentar o dinheiro, na adolescência os obstáculos são outros: o embate natural com figuras de autoridade, a pressão do grupo, a influência das redes. Entender esses fatores é o primeiro passo para usar cada um deles a favor da conversa sobre finanças em casa.

Principais desafios para falar de dinheiro com adolescentes

Fase de conflitos dificulta as conversas

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a adolescência vai dos 10 aos 19 anos e é marcada por rápido desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial. Nessa fase, é comum o jovem contrariar figuras de autoridade, o que dificulta conversas sobre qualquer tema, inclusive dinheiro. Segundo D'Aquino, muitos pais reagem de forma emocional — liberando mais dinheiro para agradar ou cortando a mesada como castigo. Nenhum dos dois extremos ajuda a construir educação financeira.

Vontade de pertencer a um grupo pode custar caro

A psicanalista explica que a ideia de consumir para se ajustar ao coletivo começa a se formar por volta dos 9 anos. Ao entrar na adolescência, o jovem passa a compartilhar "signos" que o identifiquem com determinado grupo — um tênis específico, um eletrônico, uma peça de roupa da moda. Esses itens costumam ter preço elevado e podem pressionar bastante o orçamento da família, tornando a conversa sobre limites e prioridades ainda mais necessária.

Redes sociais e influenciadores pautam desejos

Como ainda estão em formação e buscam a própria identidade, os adolescentes tendem a querer os produtos e serviços consumidos por pessoas que admiram. Diferentemente da infância, eles têm acesso quase irrestrito a todo tipo de conteúdo, linguagem e ferramentas de marketing. Para Ahmed El Khatib, coordenador do Instituto de Finanças da Fecap, o problema é que grande parte desse conteúdo mostra "ganhos sem esforço", o que distorce a percepção do jovem sobre trabalho e dinheiro.

Dificuldade dos próprios pais de lidar com dinheiro

A educação financeira só acontece de fato quando os pais se envolvem com o tema e isso fica mais difícil quando a família tem dificuldade de lidar com o próprio dinheiro. El Khatib lembra que boa parte da população tem baixa alfabetização financeira, independentemente da classe social, e que o silêncio se estende às escolas. Pesquisas mostram que jovens de 15 a 17 anos podem apresentar bloqueios de comportamento associados a brigas dos pais por dinheiro.

Visão equivocada sobre dinheiro complica o assunto

Para D'Aquino, muita gente cria inibições desnecessárias em torno do tema, como associar dinheiro à matemática. Na prática, educação financeira se resume a três princípios básicos: gastar menos do que se ganha, ter metas de curto, médio e longo prazo e investir com frequência. Há ainda um peso cultural, pois falar sobre salário no Brasil ainda é tratado como falta de educação, o que reforça o tabu em torno do assunto dentro de casa.

Quer saber mais sobre como e quando dar mesada? Ouça o podcast abaixo: 

https://www.youtube.com/watch?v=mNc8PHqoI7M

5 estratégias que funcionam com adolescentes

Diante desses desafios, especialistas recomendam algumas táticas que usam as próprias características da adolescência a favor da educação financeira:

1. Validar o desejo antes de negociar o limite

Segundo D'Aquino, a recomendação não é julgar a vontade de consumo do adolescente, mas mostrar que ela é compreendida — deixando claro, ao mesmo tempo, que nem tudo é possível.

2. Estimular o senso crítico sobre influenciadores

Questionar se o influenciador realmente usa aquele produto no dia a dia, ou se está sendo pago para divulgá-lo, ajuda o jovem a olhar com mais cautela para o que vê nas redes.

3. Pedir a opinião do adolescente, em vez de dar a resposta pronta

Comentar uma notícia e perguntar o que ele acha faz o jovem se sentir ouvido — e abre espaço para conversas sobre dinheiro sem parecer uma aula.

4. Usar a tecnologia como porta de entrada

Pedir ajuda para encontrar um simulador de investimentos ou um canal confiável sobre finanças desperta interesse por um caminho que já é familiar ao adolescente.

5. Abrir uma conta digital com supervisão

As contas digitais permitem que o jovem comece a administrar o próprio dinheiro com autonomia gradual, enquanto os pais acompanham de perto — um primeiro contato real com fluxo de caixa e limites de gasto.

Conta para menores do Nubank: uma ferramenta prática para essa jornada

Depois de entender por que a educação financeira precisa começar cedo e como ela muda da infância para a adolescência, falta uma peça prática: onde os filhos podem, de fato, colocar esses aprendizados em ação com segurança.

A primeira parceira dessa jornada financeira de crianças e adolescentes pode ser a Conta para menores do Nubank. A conta é voltada para jovens de 6 a 17 anos e funciona como um ambiente controlado: um espaço seguro para o jovem aprender sobre dinheiro na prática, com autonomia para experimentar, enquanto os responsáveis acompanham tudo de perto direto pelo aplicativo.

Como abrir a conta — passo a passo

Antes de começar, considere um ponto importante: o pedido é feito por um dos responsáveis, que já precisa ser cliente do Nubank. Confira o passo a passo para abrir a conta da criança ou jovem:

  1. Na tela inicial do app do Nubank, role a tela para baixo até a área "Descubra mais" e clique em "Começar";
  2. Leia todas as informações na tela e toque em "Continuar";
  3. Em seguida, preencha os dados do filho ou filha: nome completo, CPF, data de nascimento e um e-mail. Lembrando que o e-mail e o CPF precisam ser do próprio jovem;
  4. Depois, responda se o jovem é alfabetizado e digite a sua senha de quatro dígitos;
  5. Na tela inicial, o jovem toca em "Continuar", informa o CPF e segue o passo a passo para criar a senha do app, inserindo a data de nascimento, o país onde mora, o nome completo da mãe e o endereço completo em que reside;
  6. Depois, é só enviar a foto do documento e uma selfie. Isso ajuda a manter tudo seguro e proteger as informações. A análise leva algumas horas e é feita para garantir que está tudo certo com os dados.

Importante: dependendo da idade, sugerimos ter um responsável por perto durante o processo de abertura da conta do jovem.

Perguntas frequentes sobre educação financeira infantil e para jovens

Qual a melhor idade para começar a falar sobre dinheiro com os filhos?

Não existe uma idade exata, mas especialistas apontam que, por volta dos 4 a 5 anos, a criança já tem maturidade para entender o básico: reconhecer cédulas, associar um brinquedo a um valor e perceber que dinheiro se troca por bens. Como o pensamento ainda é concreto nessa fase, o caminho é mostrar situações reais do dia a dia, e não conceitos abstratos.

A partir de que idade é recomendado dar mesada?

A mesada costuma ser introduzida quando a criança já domina noções básicas de contagem e valor — geralmente entre 6 e 8 anos. O mais importante não é a idade em si, mas manter valor e data de pagamento constantes, para que ela desenvolva a capacidade de planejar e esperar.

Qual o valor ideal de mesada?

Não há regra fixa: o valor deve caber no orçamento da família e ser compatível com a idade e as responsabilidades combinadas. Segundo pesquisa da Serasa, 62% das famílias que dão mesada pagam, em média, R$ 100 por mês. O foco deve estar menos no valor e mais na consistência e nas regras de uso.

Menor de idade pode investir?

Sim, desde que a conta de investimentos esteja no nome do menor e seja aberta e representada por um responsável legal. Opções como o Tesouro RendA+ e o Tesouro Educa+ são recomendadas por especialistas justamente por priorizarem o longo prazo, aproveitando o tempo como maior aliado do investidor.

Como lidar com a influência das redes sociais no consumo dos filhos?

Mais eficaz do que proibir o consumo de conteúdo é estimular o senso crítico. Perguntar se o influenciador realmente usa aquele produto ou se está sendo pago para divulgá-lo ajuda o jovem a filtrar melhor o que vê. Falar abertamente sobre o "ganho sem esforço" mostrado em muitos vídeos também ajuda a construir uma leitura mais realista.

Escolas brasileiras ensinam educação financeira?

O tema está previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) desde 2020 como um dos temas transversais, mas a aplicação varia muito entre as escolas. Um projeto piloto do Banco Central mostrou que jovens que passaram por aulas do tema por 17 meses usam menos o cheque especial e o crédito rotativo, o que reforça o impacto do ensino sistemático — e a importância de complementar o que a escola oferece com o exemplo em casa.

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