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Carnaval e economia brasileira: como a festa impacta o mercado?

O movimento é sensual, cultural, social e econômico. Entenda como a maior festa de rua do mundo molda as cidades, promove o turismo e estimula a geração de renda.

Carnaval e economia brasileira. Imagem de uma mala de viagem recheada de acessórios de Carnaval. Dentro dela estão: roupas com lantejoulas roxas, um par de luvas brancas, presilhas de cabelo coloridas, uma máquina fotográfica digital, uma tiara com plumas brancas e brilhos prateados, além de fitas brilhantes douradas, prateadas e rosé gold. Ao redor da mala, há também um microfone, máscaras e outros itens de Carnaval. A mala está posicionada sobre uma mesa bege e o fundo do cenário é roxo.

Ô abre alas, que o Carnaval quer passar: é só virar o calendário que, nos quatro cantos do Brasil, começa o burburinho em torno da festa. Mas ela não vem sozinha. Todos os anos, o Carnaval e a economia brasileira andam lado a lado, gerando empregos, renda e sendo um estandarte da alegria popular. Mas como a festa se estrutura? E quanto dinheiro ela movimenta? Entenda mais a seguir.

Carnaval e economia brasileira: a festa em números

Em 2023, o primeiro ano com folia de verdade depois da pandemia, o Carnaval gerou mais de R$ 8,18 bilhões em receita em todo o país, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Neste ano, a expectativa é que esse número cresça 10%, batendo a marca dos R$ 9 bilhões.

Ainda em 2024, só no Rio de Janeiro, o destino mais buscado por turistas estrangeiros durante o período, o Carnaval deve movimentar R$ 4,5 bilhões. Segundo a prefeitura, a festa carioca é responsável por um terço de toda a movimentação econômica no país durante o período. 

Já em Salvador, cidade conhecida por entrar no Guinness Book carregando a tradição carnavalesca do país, são esperados mais de 800 mil turistas, em um movimento que deve gerar mais de R$ 2 bilhões para a cidade. 

Além do dinheiro das prefeituras, as cidades também movimentam patrocínios e parcerias com empresas privadas. Em São Paulo, por exemplo, a festa de Carnaval de 2024 vai ter um empurrãozinho financeiro da empresa de bebidas Ambev, que investiu R$ 26,6 milhões para levar o contrato de licitação. 

Oportunidades para além do turismo

De modo geral, os setores econômicos do país enxergam na data uma oportunidade de faturamento maior do que em meses como dezembro e julho. Todo esse dinheiro circula nas mãos de brasileiros envolvidos ativamente com a festa, sobretudo aqueles que participam desde sua concepção, como explica o livro Cadeia produtiva da economia do Carnaval, organizado por Luiz Carlos Prestes Filho.

A obra destaca o trabalho que acontece nos bastidores, ressaltando o protagonismo de costureiras, motoristas, seguranças, equipes de limpeza, profissionais de escolas de samba e outros profissionais que atuam além dos já tradicionais setores de turismo, hotelaria e comércio. Para 2024, a previsão da CNC é de que sejam criadas mais de 70 mil vagas de trabalho temporárias durante as festividades, muitas delas com possibilidade de efetivação. 

Segundo Paula Sauer, professora de Economia da ESPM e especialista em Economia Comportamental, o poder mobilizatório da festa é uma alavanca importante para fomentar o desenvolvimento e projetar o país no cenário internacional. "É uma oportunidade de vender a 'marca Brasil' para o resto do mundo e colocar na vitrine o que interessa. Temos cultura, tradições e cidades inteligentes. Precisamos aproveitar eventos como esse para jogar luz a essas características". 

Como vive quem respira o Carnaval para além de fevereiro

Sabrina Ginga é cientista social, dançarina e embaixadora da escola de samba carioca Salgueiro, e respira o Carnaval para além de fevereiro. "O Carnaval está na minha vida o ano todo. Eu não me sustento completamente com ele, mas ele está sempre aqui".

Desde pequena, ela nutre afeto especial pelo Carnaval, uma conexão que herdou da família. "Aprendi a sambar aos três anos vendo minha prima. Minha mãe me fantasiava sempre e meu pai gravava os desfiles em fita cassete pra gente assistir o ano todo", conta. 

Há 13 anos ela faz parte do Salgueiro e já participou de desfiles memoráveis, como o que a escola se consagrou campeã, em 2009.

"Apesar de não ter um salário fixo, o Carnaval me gera renda – e talvez isso tenha começado com a minha entrada no Salgueiro. No meu segundo ano, eu comecei a galgar espaços fazendo um show de passistas e recebendo dinheiro esporadicamente. O primeiro montante significativo veio em 2018, quando comecei a viajar pela Europa para dar aulas de samba e funk".

Sabrina explica que a preparação da escola de samba começa assim que o Carnaval termina. Em maio, profissionais de diferentes segmentos já se articulam para planejar o desfile do ano seguinte, sob a regência do carnavalesco, que é a figura que decide o tema. Os ensaios começam em julho, e se intensificam à medida em que a data do desfile se aproxima. 

"É sempre uma correria para fazer roupa. Cada semana é um figurino diferente, tanto para ensaio de rua, quanto para ensaio técnico na Sapucaí [o sambódromo do Rio de Janeiro], e aí você precisa inventar, né? Porque nem sempre tem dinheiro para tudo. Mas a gente vai trocando, criando possibilidades e resistindo", conclui.

Carnaval também é símbolo de resistência

O Carnaval nem sempre foi como o conhecemos. A festa, que nasceu no período colonial, foi moldada por uma combinação de influências. O que se percebe nas ruas e sambódromos é agora uma expressão cultural que incorpora elementos de tradições europeias, africanas e indígenas. Essa mistura é um retrato do que é e do que foi o Brasil.

"Eu percebo o Carnaval como um símbolo forte da resistência de pessoas escravizadas. A filosofia primeira do Carnaval é fazer música, arte, desfilar na rua e espalhar alegria justamente porque ele representa uma possibilidade de vida para além das condições sub-humanas impostas a essa população. Não é à toa que a festa também assume um caráter político, educativo e transformador", explica Sabrina Ginga. 

Na percepção do professor Luiz Felipe Ferreira, do Programa de Pós-graduação em História da Arte da UERJ, a resistência no Carnaval pode se manifestar de diferentes formas. Seja pela liberdade, seja pelo riso, seja pela ousadia de buscar felicidade mesmo quando não há.

"A felicidade também é uma forma de resistência perante às regras estabelecidas. Pular o Carnaval é como gritar 'eu vou ser feliz, mesmo que a sociedade não me deixe ser feliz'. Nesse sentido, o Carnaval pode dialogar com diferentes interesses, tornando-se um espaço político por excelência". 

Como se organizar financeiramente para o Carnaval?

Carnaval e economia também tem tudo a ver com o seu bolso: organizar as finanças para aproveitar a festa é um jeito de não deixar o ano começar no vermelho. 

Durante a etapa de planejamento, você pode usar as Caixinhas do Nubank para separar o dinheiro que será usado na folia. E, ao sair de casa, não esqueça de ativar o Modo Rua para manter o seu dinheiro e sua conta ainda mais seguros.

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