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Por que o preço do Diesel mexe tanto com a economia?

Um reajuste de 4,4% no preço do combustível nas refinarias chegou a motivar uma paralisação geral de caminhoneiros.

O final de janeiro e começo de fevereiro de 2021 foram marcados por discussões envolvendo o preço do diesel no Brasil, que sofreu um reajuste de 4,4%.

Esse aumento foi, inclusive, um dos motivos para a organização de uma nova greve dos caminhoneiros. Uma das reivindicações dos trabalhadores é uma política de reajustes no preço.

Acontece que o preço do diesel não impacta só quem usa esse tipo de combustível: ele mexe bastante com a economia e o dia a dia das pessoas.

Por que o diesel é importante para a economia?

O diesel como combustível automotivo é usado, no Brasil, por dois setores: o agrícola e o de transporte rodoviário. Esse último é um dos mais importantes para a economia do país e o responsável por garantir a movimentação de mercadorias e abastecimento dos mais diversos produtos e bens.

Hoje, estima-se que 60% de toda carga do Brasil sejam movimentadas pelas rodovias, por meio de modais como o caminhão – que é movido pelo óleo diesel. Além disso, o diesel também tem finalidades industriais, como para alimentar geradores elétricos ou caldeiras.

Ou seja, quando o preço do diesel sobe, ele afeta setores com altíssimo impacto no dia a dia dos brasileiros. 

Como o preço do diesel é calculado?

O diesel é um combustível derivado do petróleo e, por isso, seu preço está ligado às variações de preços do barril de petróleo. O petróleo é uma commodity – bens, principalmente matérias primas, que são negociados em todo o mundo e entre países – e, por isso, tem seu preço calculado em dólar (US$). Ou seja: não só as variações no preço do barril de petróleo quanto também na cotação do dólar afetam o preço do diesel.

É simples: além do fato de que se trata de uma commodity negociada em todo o mundo e que tem, portanto, preços que valem para todos os países, o Brasil é um grande produtor e importador de diesel e outros combustíveis; se o preço ficar abaixo do mercado internacional, as produtoras nacionais perdem o interesse em importá-lo. 

Quem determina o preço do diesel nas principais refinarias de petróleo brasileiras é a Petrobras, que detém a maior parte delas – é a partir das refinarias que ele vai para as distribuidoras e, depois, chega ao consumidor final.

Vale lembrar: esse preço determinado pela empresa não é o mesmo preço cobrado do consumidor final, afinal, existe toda uma cadeia de produção do diesel até que ele chegue aos postos de combustível. Inclusive, mesmo quando a companhia não faz mudanças nas suas cotações, o preço do diesel nas bombas pode aumentar.

Segundo a Petrobras, hoje o preço da refinaria (cujas cotações são determinadas pela empresa), representa menos da metade do preço cobrado nos postos de combustível – todo o restante que compõe o preço são “impostos estaduais e federais, custos adicionais com o biodiesel e margem da distribuição do diesel e dos postos”.

Esse preço final é determinado pelo mercado – ou seja: se leva em consideração também a inflação, a oferta e demanda e outros movimentos da economia. São todas essas movimentações que vão ditar qual será o valor para o consumidor final e, por consequência, como todo o mercado se comportará.

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