Taxa Selic pra lá, taxa Selic pra cá… você deve ter ouvido falar dela ao longo dos últimos dias. O motivo? Ela é a “mãe” de todas as taxas de juros do país e, pela terceira vez, o Banco Central decidiu reduzir a taxa para 14,75% ano. A decisão foi divulgada após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada no dia 18 de março de 2026. O mercado já esperava a queda, portanto, não houve surpresas.
Mas o que você tem a ver com isso?
Entenda a seguir porque o Banco Central reduziu a Selic e os impactos da taxa no seu bolso.
Por que a taxa Selic foi reduzida?
A Selic foi reduzida, segundo o Copom, por diversos fatores, o principal deles é interno. Segundo o BC, as expectativas de inflação para 2026 apuradas pela pesquisa Focus estão em 4,2%, respectivamente. "Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual", disse o Banco Central.
Mas o que a inflação tem a ver com a taxa Selic?
É que o Banco Central usa a taxa Selic como ferramenta para controlar o aumento de preços. Assim, quando a Selic sobe, os juros cobrados nos financiamentos, empréstimos e cartões de crédito ficam mais altos. Isso desestimula o consumo e favorece a queda da inflação. Afinal, pessoas e empresas pensam duas vezes antes de entrar em uma dívida com juros altos. E se há menos consumo de um produto ou serviço, os preços tendem a cair.
Existem outros motivos que influenciaram na redução da Selic?
Sim. O Copom relacionou outros motivos para a redução da taxa Selic em março de 2026, como o cenário externo.
Cenário externo incerto
De acordo com o Banco Central, o ambiente externo ainda se mantém incerto, principalmente a política econômica nos Estados Unidos, que acaba refletindo nas condições financeiras globais. "Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica", afirmou o BC.
Política fiscal
Outro motivo é a política fiscal do país, que também é afetada pelo fator externo. "O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza".
Na prática, toda vez que o mercado fica receoso de que as contas do país não fechem no azul – quando os gastos do Governo ficam acima da arrecadação –, a percepção de risco do país aumenta. Ou seja, aumenta a desconfiança de que o país consiga realmente pagar seus compromissos. E isso afeta o câmbio: quanto maior o risco, menos investimentos (dólares) entram no país.
Mas o que isso tem a ver com a taxa básica de juros?
A Selic é a "mãe" de todas as taxas, inclusive a de investimentos que atraem investidores estrangeiros. Quando o risco de um país aumenta, é preciso ter taxas de juros bem atrativas para fazer com que os investidores permaneçam no país.
Como a Selic afeta o seu bolso?
A taxa Selic é a taxa-mãe da economia. Ela é a taxa de juros referência do mercado. Quando ela sobe, os juros que você paga em diversos produtos de crédito tendem a aumentar também. E quando ela cai, esse crédito fica mais barato.
Na prática, os juros que você paga em compras a prazo, em financiamentos e empréstimos ficam maiores quando a Selic sobe.
Além disso, como a Selic é a ferramenta que controla a inflação, quando ela aumenta, espera-se que os preços comecem a cair. Contudo, esse movimento não acontece de forma imediata. O efeito do aumento da Selic nos preços de produtos e serviços leva meses para chegar ao bolso dos consumidores.
Para quem investe, o aumento da taxa Selic é uma boa notícia. É porque existem muitos ativos de renda fixa – investimentos considerados mais conservadores – que acompanham a taxa de juros. Ou seja, eles têm a rentabilidade atrelada à taxa: quando a Selic sobe, esses investimentos rendem mais. Exemplos desses ativos são o Tesouro Selic e CDBs que pagam a taxa CDI (uma taxa muito próxima à Selic).
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