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Casa da moeda: o que é e como funciona

Uma fábrica de imprimir dinheiro: esse é o papel (com o perdão do trocadilho) da Casa da Moeda.

Talvez a primeira vez que você tenha pensado na Casa da Moeda tenha sido assistindo La Casa de Papel – na série espanhola, uma quadrilha invade a instituição e imprime quase um bilhão de euros.

Mas já parou para pensar em como funciona a Casa da Moeda do Brasil? O que ela faz, quem controla, como funciona?

O que é a Casa da Moeda

Em linhas gerais, a Casa da Moeda do Brasil (CMB) é uma empresa responsável pela emissão monetária no país. Ou, em outras palavras…

A Casa da Moeda imprime o dinheiro que circula na economia brasileira.

Além disso, a instituição também é responsável por:

  • Produzir moeda metálica e papel-moeda;
  • Fabricar medalhas e moedas comemorativas;
  • Imprimir selos fiscais, postais e federais;
  • Fabricar passaportes, certidões, diplomas e outros documentos com sistema de segurança semelhante.

O Banco Central é órgão federal responsável pelo controle, emissão e distribuição do dinheiro. É ele quem determina também a quantidade e frequência de emissão.

A Casa da Moeda do Brasil imprime as cédulas e cunha as moedas conforme a solicitação do BC em um dos maiores complexos de gráfica de segurança do mundo.

Um pouquinho de história

A Casa da Moeda é uma das instituições mais antigas do Brasil, fundada em março de 1694 para solucionar o problema da circulação de riquezas no Brasil colonial – as únicas moedas existentes eram as vindas de Portugal ou via comerciantes estrangeiros. A Casa da Moeda permitiu que fossem cunhadas moedas dentro do território brasileiro, eliminando essa escassez.

Originalmente instalada em Salvador, foi transferida para o Rio de Janeiro em 1699, onde permanece até hoje, exceto por uma breve passagem pelo Recife.

Como é a Casa da Moeda hoje

Conforme a economia brasileira foi expandindo, a demanda da CMB se tornou cada vez maior. Como efeito disso, o complexo industrial (instalado no bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste carioca) é um dos maiores do mundo, com mais de 120 mil metros quadrados.

Nele está instalado o parque gráfico, composto por três fábricas e equipado com as impressoras responsáveis pela confecção. Segundo a CMB, os equipamentos têm capacidade para produzir, por ano, cerca de 3 bilhões de cédulas, 4 bilhões de moedas, 8 bilhões de selos fiscais e 3 milhões de passaportes.

O papel do Banco Central junto à Casa da Moeda

A CMB é a única instituição autorizada a produzir moeda e papel-moeda, mas ela não toma essa decisão de forma autônoma: é preciso haver uma autorização do presidente do Banco Central com a quantidade a ser impressa.

É o Bacen, portanto, o responsável pelo gerenciamento de quanto dinheiro entra e sai de circulação – a Casa da Moeda é o instrumento de produção.

A quantia é definida principalmente a partir da análise que o Banco Central faz da necessidade de substituir cédulas e moedas danificadas. Em 2019, por exemplo, a demanda foi de 1,5 bilhão de unidades monetárias. Esse processo também leva em conta a política econômica do Ministério da Fazenda.

Quando falta dinheiro é só imprimir mais?

Há quem ache que, quando a economia vai mal, basta imprimir mais dinheiro – afinal, assim sobraria para investir em saúde, educação etc, certo?

Infelizmente, errado.

A impressão de dinheiro deve acontecer de forma orgânica e gradual. Quando a economia vai bem, a produção e investimentos crescem e, portanto, as riquezas também. É natural, portanto, que apareça mais dinheiro em circulação.

Fabricar moeda de maneira artificial, no entanto, gera um problema: as pessoas passariam a ter mais dinheiro na mão, mas a produção não cresceria, o que geraria excesso de demanda e escassez de produtos. Isso levaria ao aumento generalizado de preços e à desvalorização do real.

Com uma moeda que vale menos, o governo precisaria imprimir mais ainda, gerando uma bola de neve chamada hiperinflação.

Ou seja: imprimir dinheiro é coisa séria. A produção desenfreada acabaria gerando o descontrole da economia e a perda de credibilidade, já que ninguém mais confiaria no valor da moeda brasileira.

Leia mais: Como funciona a inflação?

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