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O boom dos MEIs na pandemia: um estudo do Data Nubank

A 4ª edição do Data Nubank olha para as pessoas microempreendedoras individuais antes e durante a pandemia.



Em outubro de 2020, o Brasil atingiu a marca histórica de 11 milhões de Microempreendedores Individuais, segundo dados da Receita Federal. Com pouco mais de 10 anos de existência, MEI já é o porte de empresa mais comum no país. 

Mas, muito mais do que um porte, os MEIs são compostos por pessoas – e entender quem são elas e como elas se comportam financeiramente é essencial para projetar o futuro da categoria. 

Para isso, decidimos estudar a base de clientes do Nubank que são microempreendedores individuais – tema da 4ª edição do Data Nubank, plataforma que analisa temas do universo financeiro e como eles impactam o cotidiano das pessoas.

O estudo completo pode ser acessado neste link. A seguir, destacamos algumas das principais descobertas.

A relação entre MEIs e o desemprego

Para começar, observamos o crescimento de microempreendedores individuais entre os clientes Nubank e a relação disso com o desemprego no Brasil. Há uma tendência de crescimento na criação de novos MEIs (que são clientes Nubank), uma vez que, mês após mês – apesar de algumas exceções –, a quantidade de pessoas se tornando microempreendedores individuais vem aumentando. 

Outra característica notável é o aumento de clientes Nubank que se tornaram MEIs entre abril e julho de 2020. Em julho, por exemplo, houve um pico de 20,5% em comparação com o mês anterior.

Uma possível explicação vem do agravamento da crise provocada pela Covid-19 e do desemprego. A necessidade de outra fonte de renda e de ter acesso a benefícios previdenciários pode ter levado muitas pessoas a se tornarem MEIs.

A proporção de mulheres MEIs vem caindo

Em janeiro de 2013, 51,4% dos novos MEIs entre os usuários do Nubank com informação de gênero se identificavam como mulheres. Já em agosto de 2020, esse número caiu para 46,8%. 

Vale ressaltar que os impactos da crise econômica provocada pela pandemia se concentram, principalmente, nos jovens, nas mulheres e nos menos escolarizados, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o mercado de trabalho.

Uma hipótese para isso é que, ao serem mais afetadas, muitas mulheres abandonam até o empreendedorismo – e isso pode agravar ainda mais a diferença de penetração entre homens e mulheres MEIs.

Em momentos de crise, o número de jovens tornando-se MEIs aumenta

Em dezembro de 2014, 22% dos novos microempreendedores individuais tinham menos de 25 anos. Já em dezembro de 2015, com a crise econômica no Brasil, esse número saltou para 26%.

Algo parecido aconteceu em 2020: antes da pandemia, o fluxo dos mais jovens era de 27%, mas chegou a 30% em agosto de 2020.

Uma hipótese para esse fenômeno é a necessidade, entre os jovens, de encontrar uma fonte alternativa de renda ao perder um emprego CLT ou não conseguir entrar no mercado de trabalho formal.

As categorias de comércio varejista e de alimentação cresceram durante a pandemia

Um dos setores que mais ganhou microempreendedores individuais durante a pandemia no ano passado foi o de comércio varejista: o percentual de novos entrantes subiu 8 pontos percentuais nos três primeiros meses de isolamento social, entre março e junho de 2020.

Outro setor bem representativo é o de alimentação, registrando em torno de 10% dos novos entrantes ao longo do tempo. Com a pandemia, esse movimento se intensificou – os MEIs de alimentação chegaram a representar 17% dos novos entrantes em maio de 2020.

Esse aumento ilustra a maior demanda por serviços de alimentação em casa. Por causa das medidas de isolamento físico para conter a propagação do novo coronavírus, muitas pessoas trocaram os restaurantes pelo delivery – e tanto novos quanto antigos microempreendedores buscaram aproveitar esse movimento. 

No começo da pandemia, os MEIs pouparam mais

A partir de março de 2020, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a pandemia e diversas cidades do Brasil adotaram medidas de isolamento, houve um crescimento da utilização da função Guardar Dinheiro pelos MEIs no Nubank – saltou de 15,7% para 19,1%, em julho. Este período coincide com os pagamentos do auxílio emergencial de R$ 600, indicando que os microempreendedores individuais (um dos grupos beneficiados pela medida) conseguiram poupar ao menos parte do dinheiro recebido naquele momento.

Com o passar dos meses e a flexibilização das medidas para conter o avanço da Covid-19, entretanto, isso mudou. Em novembro de 2020, apenas 14,3% dos MEIs com uma conta PF ativa no Nubank utilizavam a função Guardar Dinheiro – o menor percentual já registrado para esse grupo desde que o produto foi criado, em maio de 2019.

Muitos fatores podem explicar essa mudança no comportamento dos microempreendedores individuais. Um deles é o valor menor da extensão do auxílio emergencial, de R$ 300 – metade do valor original. Outro possível fator é a própria reabertura global da economia, que possivelmente diminuiu a incerteza entre os MEIs e a preocupação em poupar naquele momento.

Ao se tornarem MEIs, clientes gastam mais com serviços, casa e eletrônicos

Para compreender ainda mais o comportamento financeiro dos microempreendedores individuais brasileiros, também analisamos os gastos no cartão de crédito dos clientes Nubank que fazem parte desta categoria.

É importante ressaltar que os dados são referentes ao cartão da pessoa física, uma vez que o Nubank não oferece cartão de crédito empresarial. 

Comparando a distribuição dos gastos no cartão de crédito nos 6 meses anteriores à abertura do MEI com os 6 meses posteriores, os gastos totais com serviços aumentam de 13% para 15,3% e os gastos com a casa passam de 8,7% para 9,6% quando o cliente Nubank se torna microempreendedor individual.

Já para outras categorias ocorre justamente o contrário: os gastos no cartão de crédito diminuem quando o cliente se torna MEI, em comparação com seus gastos nos 6 meses antes de se tornar microempreendedor individual.

Os gastos com transporte, por exemplo, caíram de 12,4% para 11,4%, e, com vestuário, saíram de 10,7% para 9,6%.

Veja outras descobertas da 4ª edição do Data Nubank

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