"Ih, não entra nessa não. Tem jeito de pirâmide financeira". Talvez você já tenha ouvido isso ao falar sobre um negócio super lucrativo com promessa de retorno garantido. Talvez você seja a pessoa que alertou alguém.
De qualquer forma, é provável que você conheça alguém que já entrou em contato com uma pirâmide financeira em algum momento da vida. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Sebrae mostra isso: 14% dos internautas brasileiros entrevistados afirmaram que já perderam dinheiro em esquemas fraudulentos.
E as pirâmides financeiras lideram o ranking: as principais ocorrências se deram em esquema de pirâmide (40%), golpe da seguradora com pagamento antecipado de taxas e/ou despesas (17%) e contratação de serviço de gestão/consultoria/análise de investimentos sem o devido registro profissional na Comissão de Valores Mobiliários (13%).
Mas, afinal, o que é uma pirâmide financeira, como identificar uma e como se livrar desse golpe? Saiba mais a seguir.
O que é uma pirâmide financeira e como funciona esse esquema?
A pirâmide financeira se apresenta como um modelo de negócio, mas, na verdade, é um golpe financeiro. Em linhas gerais, a pirâmide financeira funciona com base em indicação desenfreada de novos membros, até que o número se torna tão absurdo que o esquema quebra.
A premissa costuma ser: uma pessoa paga para entrar e, ao indicar um número determinado de novos membros, começa a receber dinheiro desses novos membros. Pode ou não haver a venda de um produto envolvido, mas, normalmente, as informações são propositalmente rasas e confusas.
O apelo das pirâmides sempre vem através de grandes promessas: "ganhe dinheiro sem sair de casa", "dobre seus investimentos" e "retorno garantido em pouquíssimo tempo" aparecem como chamarizes para que pequenos investidores apliquem.
Um caso conhecido, que exemplifica bem o esquema de pirâmide, é o do investidor americano Bernard Madoff. O esquema funcionava como um típico esquema de pirâmide Ponzi: ele prometia retornos altos e estáveis a investidores, mas não aplicava o dinheiro de verdade. Em vez disso, usava os valores dos novos investidores para pagar os antigos, criando a ilusão de lucro constante e uma falsa sensação de segurança.
Como era um nome respeitado em Wall Street, conseguiu atrair bilhões, mantendo o esquema por décadas. O colapso veio quando muitos investidores quiseram sacar seus fundos ao mesmo tempo — especialmente durante a crise de 2008 — e ficou claro que não havia dinheiro real, apenas a estrutura fraudulenta sustentada por entradas contínuas. O prejuízo estimado do esquema ficou em US$ 65 bilhões. Madoff foi condenado em 2009 a 150 anos de prisão, mas faleceu em 2021.
Por que pirâmide?
A palavra pirâmide vem justamente do formato em que o modelo é desenhado: começa com uma pessoa no topo, normalmente o dono do esquema, que convida um grupo de membros para o degrau abaixo. No caso da pirâmide financeira, o convite é uma promessa de retornos altos em supostos investimentos. A vítima cede recursos à pessoa dona do esquema e é responsável por recrutar seu próprio grupo, que ficará no próximo nível, e assim por diante.
Como cada novo membro faz um investimento inicial, os degraus inferiores vão sustentando os superiores, fazendo com que o dinheiro suba em direção ao topo.
É importante lembrar, no entanto, que um golpe fraudulento desse tipo não vai se apresentar como uma pirâmide, já que esse termo já rodou o suficiente para gerar suspeita. Muitas vezes, aparecerão termos como marketing multinível (um modelo legal de negócio, mas que pode servir de fachada para uma pirâmide), ou até outros formatos, como o de uma mandala, para disfarçar.
Por que a pirâmide financeira é insustentável?
De maneira bem simples: porque há um número finito de pessoas no mundo. Para se sustentar, uma pirâmide financeira precisaria continuar crescendo para sempre ou as pessoas que já estão no esquema precisam continuar colocando mais e mais dinheiro.
Mesmo pensando em pirâmides menos complexas a conta não fecha. Se o esquema exige que cada participante chame apenas dois membros, por exemplo, o recrutamento é mais fácil, mas aumenta a demora até o retorno financeiro chegar. No fim, o resultado é o mesmo.
Ou seja: as pirâmides financeiras sempre quebram. Assim que novos membros param de entrar ou param de colocar dinheiro (ou pedem para retirar o dinheiro, como no caso Madoff), torna-se impossível cobrir a remuneração dos andares superiores. Quem não ganhou, não ganha mais – a maior parte das pessoas, já que cada degrau é exponencialmente mais populoso que o anterior.
É por isso que, de acordo com a lei 1.521/51, elas são consideradas crime contra a economia popular.
Como identificar uma pirâmide financeira?
Os esquemas de pirâmide têm alguns elementos comuns. Sozinhos, esses sinais não necessariamente significam um modelo fraudulento, mas devem fazer o investidor levantar sua guarda.
Segundo a Securities and Exchange Commission (SEC), agência federal norte-americana, estes são os sinais mais gritantes de uma pirâmide financeira:
- Ênfase no recrutamento: quando o programa é totalmente focado no aliciamento de novos membros, ou quando trazer participantes gera mais remuneração do que vender o produto.
- Ausência de um produto genuíno: quando o tipo de mercadoria vendida no modelo é confuso, pouco claro ou difícil de avaliar – muitos produtos tecnológicos, por exemplo, acabam atraindo vendedores que não entendem o suficiente do assunto para saber quando são reais ou não.
- Promessa de lucro alto em pouco tempo: dinheiro rápido de volta normalmente significa que a remuneração virá do recrutamento, não da renda gerada pela venda.
- Renda fácil: o famoso "ganhe dinheiro dormindo", mas em vários formatos – podem ser promessas de pagamento para recrutar outros membros ou criar anúncios em sites pouco conhecidos, por exemplo.
- Ausência de renda comprovada: quando não há documentos que comprovem a atuação legal do negócio, assim como registro de renda advinda da venda de produtos.
- Estrutura de comissão confusa: comissões em empresas legítimas são quase sempre atreladas a vendas, não a outros fatores. Pirâmides tipicamente têm sistemas de remuneração complexos.
Em resumo: esquemas de pirâmide são propositalmente confusos sobre informações sobre a fonte de receita da empresa e sobre como os participantes ganham dinheiro. Não é nunca recomendável entrar em um negócio sem saber dados básicos como esses.
Além disso, pirâmides financeiras, que envolvem investimentos, como no caso Madoff, são baseadas em promessas de ganhos rápidos e altos – lembre-se de que isso não existe no mundo dos investimentos. Investidores que ficaram realmente milionários de maneira rápida investindo em alguma coisa são exceção da exceção. Se a sua ideia é investidor, escolha um lugar seguro, regulado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e que tenha opções de investimentos que fazem sentido para o seu perfil.
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Como denunciar um esquema de pirâmide?
Vítimas desse tipo de golpe, ou pessoas que suspeitem de sua existência, podem fazer a denúncia ao Ministério Público Federal, Ministérios Públicos Estaduais, ou, ainda, às polícias civil e federal.
O Ministério Público tem uma cartilha sobre o tema. Nela estão informações importantes sobre características das pirâmides, leis e algumas perguntas úteis para se fazer ao se deparar com um possível golpe:
- Os distribuidores vendem mais produto uns para os outros do que para o público?
- A quantidade de dinheiro que os membros ganham depende mais do recrutamento do que da venda do produto?
- A empresa seria lucrativa sem a contínua adesão de novos distribuidores?
Ainda segundo a cartilha, a atividade dos esquemas comprovados como pirâmides pode gerar penas de prisão de até 5 anos.
Por que tanta gente cai em esquemas de pirâmide financeira?
Ganhar dinheiro fácil, rápido e com pouco trabalho: não é preciso se esforçar muito para entender por que tanta gente se atrai pela retórica das pirâmides financeiras.
No entanto, considerar "ganância" ou "imediatismo" como motivos não só reduz o problema, como também coloca sobre a vítima a culpa de ter sido enganada.
Os esquemas de pirâmide, assim como vários outros tipos de golpe, são extremamente talentosos em encantar seus alvos. Mais do que isso: eles conseguem cooptar quem já caiu na fraude a convencer outras pessoas a se enrolarem também.
Este artigo da Penn State University explica como as pirâmides financeiras direcionam seu discurso prometendo sonhos – não é só pelo dinheiro, mas pela possibilidade de ser seu próprio chefe, controlar seu horário, virar independente.
Por isso, se informar é sempre a primeira – e mais importante – etapa. Quanto mais informação se tem, mais fácil fica identificar um discurso feito para enganar.
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