Febre suína, dólar e coronavírus:

o que tudo isso tem a ver com o preço da carne?

4 de novembro de 2020

Já faz alguns meses que quem vai ao mercado deixa mais no caixa do que esperava. O preço dos alimentos vem subindo - especialmente de ingredientes básicos, como o arroz e o óleo de soja.

Na esteira deles veio o aumento da carne.

Alimentos mais caros

Dos 0,94% de aumento geral dos preços, o grupo da carne representou 0,13%  O dado foi divulgado no meio de outubro pelo IBGE. O aumento da carne chegou a quase 5% em 30 dias.

POR QUE?

1.

O efeito pandemia

Entre fevereiro e maio de 2020, o grupo da carne sofreu quedas de até 5% nos preços, um efeito colateral do Covid-19: com a diminuição das atividades, a demanda caiu. A alta dos preços recomeçou em junho e vem acelerando desde então. Um dos motivos para isso é o estímulo às exportações.

2.

Exportações em alta

O Brasil passa hoje por uma desvalorização cambial (ou seja, dólar alto). Isso torna a exportação mais vantajosa para empresas, diminuindo a oferta interna e aumentando preços.

E não só a carne está sendo mais vendida no exterior, como também ingredientes da ração dos animais (como milho e soja), o que aumenta os custos de produção.

3.

Aumento da demanda chinesa

Desde 2019, a China vem enfrentando a febre suína africana - doença que não apresenta riscos para seres humanos, mas que dizimou as criações de porcos no país. Isso causou o aumento da importação de carnes na China. O Brasil, que é um dos principais exportadores do mundo, mais do que dobrou a venda de carne para a China entre janeiro e setembro de 2020 em relação ao mesmo período em 2019.

Tempestade perfeita

Juntas, todas essas condições criaram o cenário ideal para a inflação da carne no Brasil. Enquanto elas permanecerem assim, os preços nos mercados deverão continuar salgados.