Conclusão

Uma reflexão sobre as descobertas apresentadas nesse estudo

ILUSTRADORA: @la_minna

La Minna, Rio de Janeiro/RJ

Como é o seu processo criativo?

”Sou designer e atualmente atuo como freelancer com foco em ilustração. Em toda ilustração, procuro não me distanciar das minhas referências como Djanira da Motta, Heitor dos Prazeres, obras do modernismo brasileiro e temáticas sobre gênero, direitos LGBTQI+. Minhas referências são o que me projetam, são parte de mim e do que eu vivo.”

Você sente ou sentiu desafios sendo mulher empreendedora criativa?

”Ainda não tenho a resposta exata, já que atuo como empreendedora há pouco tempo. Mas já ouvi frases como: "Você ganha dinheiro com isso? É isso que você faz?". A partir daí já dá pra ter uma ideia da encrenca. Acho que a maior dificuldade, além de se firmar no mercado, é a de ser vista com seriedade e principalmente ser ouvida.”

Como você faz a sua organização financeira?

”Sempre fui organizada financeiramente por necessidade. Antes de começar a empreender fui atrás de manuais de sobrevivência para freelancers e entendi que o dinheiro que entra com o trabalho não é meu, mas da minha empresa. Todo o processo fiscal é anotado em planilhas. Tenho controle de tudo pra só depois pensar no lucro.”

Você encontrou barreiras para seguir como empreendedora na pandemia?

”A minha barreira foi a de estar desempregada durante a pandemia. A verdade é que eu me tornei empreendedora na marra, para conseguir pagar as contas. Ralei demais, montei portfólio voltado para a área, disparei mil e-mails, fui atrás de contatos. Não me lembro de me sentir tão feliz com meu trabalho e minha entrega. Por sorte ou destino, gostei da coisa. Hoje eu percebo que meu perfil sempre foi de empreendedora.”

Todos os dados apresentados mostram que as mulheres sofreram de forma muito mais intensa as consequências negativas da pandemia sobre os seus negócios. Os números confirmam o quanto a lacuna entre gêneros ainda é um dos desafios mais evidentes e persistentes do empreendedorismo no Brasil.

Vale observar que esses números também partem de um contexto social complexo e histórico de desfavorabilidade das mulheres em relação aos homens.

Por outro lado, apesar de serem mais afetadas pela crise, as mulheres MEIs também inovaram mais em seus negócios, como demonstrado pelos dados do SEBRAE de maior participação nas vendas online.

Também são elas que têm puxado para cima o número de empreendimentos nascentes, abrindo novos negócios. Mas vale destacar que o empreendedorismo continua sendo uma alternativa de renda para milhares de trabalhadoras porque foram excluídas do mercado formal de trabalho, como bem demonstra o estudo do SEBRAE sobre empreendedorismo por necessidade.

O estudo do Data Nubank conseguiu demonstrar que os impactos da pandemia de Covid-19 foram mais intensos para as mulheres, tanto do ponto de vista profissional (faturamento, funcionamento, investimentos), quanto do pessoal (tempo disponível para o trabalho e divisão dos afazeres domésticos).

Contudo, entender todos os motivos disso e quais caminhos seguir para minimizar essa situação extrapola as análises deste levantamento.

Por fim, é fundamental questionar o que podemos fazer enquanto sociedade para superar os desafios do empreendedorismo feminino, e batalhar para que as lacunas de gênero sejam, se não eliminadas, ao menos reduzidas.

Para entender as possibilidades a serem perseguidas, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) propôs algumas recomendações1 específicas sobre crédito e fomento a novos empreendimentos para este material.

BID: CRÉDITO E FOMENTO AOS NOVOS EMPREENDIMENTOS

Para recuperar e transformar o empreendedorismo feminino no Brasil, é essencial dar crédito às Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs), além de apoiar a criação de startups. Existem algumas formas para viabilizar esse suporte, como a criação de incentivos financeiros para empresas lideradas por mulheres ou comprometidas com a equidade de gênero.

De acordo com o BID, há instrumentos financeiros inovadores, como bônus de gênero, para que se acelere o acesso ao crédito para empresas lideradas por mulheres e se financiem projetos que visam a igualdade de gênero e o empoderamento feminino.

É fundamental, ainda, prestar assistência às empresas criadas por mulheres, incluindo apoio à inovação, à transformação digital e à entrada em mercados mais dinâmicos e rentáveis. A oferta de capital paciente para empresas lideradas por mulheres, e segundo estágios de desenvolvimento, também pode contribuir ao financiamento de atividades ligadas à Agenda 2030 da ONU e aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Vale destacar, ainda, que minimizar as lacunas de gênero no mercado de trabalho e no empreendedorismo é essencial para uma sociedade mais inclusiva e produtiva. Ao redor do mundo, existem muitas evidências de que a diversidade traz enormes benefícios, inclusive do ponto de vista financeiro.

As empresas com maior diversidade de gênero em seu conselho de administração tendem a ser mais lucrativas e maiores do que companhias com menos diversidade. Quando os negócios têm equipes equilibradas em termos de gênero, seus retornos podem ser até 20% maiores. Além disso, equipes lideradas por mulheres geram um retorno 35% maior do que aquelas lideradas apenas por homens.

Por fim, se as lacunas de gênero fossem devidamente eliminadas, estima-se que teríamos um aumento potencial de 26% do PIB global anual, da ordem de US$ 160 trilhões de riqueza de capital humano; 15% mais probabilidade de melhor desempenho nos negócios; e de $5,9 trilhões de recursos com origem na capitalização de mercado global adicional. Ou seja, um acréscimo na soma de todos os investimentos captados no mercado de ações que é direcionado aos negócios.

Em um cenário de equidade, portanto, independentemente do gênero, todos seriam beneficiados.

Expediente

COORDENAÇÃO DATA NUBANK E EDITORIAL

Ellen Pacheco Gerente de Comunicação no Nubank

LIDERANÇA DE CONTEÚDO DATA NUBANK

Paula Rothman Lead de Conteúdo no Nubank

Editorial

Victor Gouvêa Editor de conteúdo no Nubank
Joyce Afonso Produtora de conteúdo no Nubank

Coordenação de Pesquisa

Rafaela Nogueira Doutora e Mestre em Economia pela EPGE/FGV | Gerente de Relações Institucionais no Nubank

BID

Vanderleia Radaelli Especialista Líder em Ciência, Tecnologia e Inovação - Setor de Instituições para o Desenvolvimento (IFD) Divisão de Competitividade, Tecnologia e Inovação (CTI)
Livia Gouvêa Gomes Especialista em Mercado de Trabalho - Setor Social (SCL) | Divisão de Mercados de Trabalho (LMK)
Nathália Pufal Consultora em Competitividade, Tecnologia e Inovação - Setor de Instituições para o Desenvolvimento (IFD) | Divisão de Competitividade, Tecnologia e Inovação (CTI)

Carta aos Leitores

Monique Evelle Fundadora da Inventivos e Consultora de Inovação no Nubank

HISTÓRIAS DE CLIENTES

Bruna Garcia de Almeida Serra (ES) | Ágile Soluções Tecnológicas Élen Pereira Canoas (RS) | Presenteia Kits Personalizados Marcella Sterza Nicoletta Má São Paulo (SP) | Empresa: Nicoletta Assessoria Executiva Marcelly Bastos Nassar Osasco (SP)| M's Bolos

Projeto Gráfico

GUILHERME FALCão Direção Criativa e Produção cristina kashima Direção de Arte e Infografia, Auá Mendes, Clara Candelot, Ing Lee, Lana Barcellos, Letícia Vieira e Lorena Araújo Ilustrações raccoon Programação

PESQUISADORES

Bruno Fonseca Especialista em Marketing Analytics no Nubank Erick Reis Analista de Negócios no Nubank Flávia Trovão Analista de Negócios no Nubank Giselle Mendes Especialista em Relações Públicas no Nubank Manoel Bonfim, Matheus Morgado, Tatyana Zabanova Cientista de Dados no Nubank

SEBRAE

Fausto Ricardo Keske Cassemiro Analista de Dados, Alexandre de Oliveira Ambrosini Analista de Dados, Karina Santos de Souza Analista de Dados, Kennyston Lago Analista de Dados, Marco Aurelio Bedê Analista de Dados, Tomaz Carrijo Analista de Dados

Colaboração

ALANA MORGANTI Social Media Content Lead no Nubank Ana Beatriz Oliveira Designer no Nubank FELIPE DANIEL Audiovisual no Nubank Gabriela Moribe Advogada na área de Proteção de Dados e Privacidade no Nubank GUILHERME RITSU Social Media no Nubank LARISSA CORTEZ Social Media Content no Nubank Lucas Polido Analista de Sucesso do Cliente no Nubank LUIZA GURGEL Audiovisual no Nubank MARCELO CAMPOS Community Manager no Nubank MARI CRESTANI Audiovisual no Nubank Mariana Caparelli Advogada e DPO no Nubank CIPP/E, formada pela PUC/SP, especialista em Proteção de Dados pelo Data Privacy Brasil NICOLE SAMPERI Audiovisual no Nubank RAFAEL SOUZA Audiovisual no Nubank Sofia Chang Advogada na área de Proteção de Dados e Privacidade no Nubank Vitor Leite Produtor de Conteúdo no Nubank

Data
Nubank

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Esta publicação é uma produção exclusiva da plataforma Data Nubank, criada, desenvolvida e distribuída pelo Nubank, em parceria inédita junto ao SEBRAE e BID. A reprodução de trechos do conteúdo, na forma autorizada pela Lei de Direitos Autorais (Lei Federal 9.610/98), é permitida sem qualquer tipo de alteração na sua forma original e desde que a fonte seja citada.