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De recepcionista a CEO de uma startup: a trajetória de Tatiana Santarelli

Ela é uma das poucas mulheres negras brasileiras a presidir uma empresa de tecnologia. Conheça a história de Tatiana Santarelli, CEO da TeamHub e personagem do projeto "A gente muda o sistema".



Tatiana Santarelli sempre foi uma mulher dedicada e movida por cuidar das outras pessoas. Começando pelo trabalho social, aos poucos, ela foi traçando uma trajetória que a fez se tornar parte de um grupo de 2% de mulheres negras que ocupam cargos de diretoria em empresas do Brasil. Mas até chegar a este patamar, muita coisa aconteceu na vida dela. 

Nascida e criada em Belo Horizonte, Tatiana descobriu cedo a sua vocação.  “Fiz um seminário de práticas sociais logo após o ensino médio. Na época, me imaginava como uma pessoa que ia viajar o mundo fazendo ações sociais. Fiz isso na minha comunidade, trabalhando com dependentes químicos em recuperação nas favelas de Belo Horizonte”, diz. 

A partir do projeto, ela  iniciou um movimento interno que nunca mais parou. “Foi surgindo em mim todo esse olhar pras pessoas, pro cuidado com elas”. 

Depois de passar pelo mundo corporativo tradicional e consultoria, Tatiana se tornou empreendedora. Hoje, ela é CEO da TeamHub, uma plataforma de gerenciamento de RH que ajuda empresas a contratarem por identificação cultural entre candidatos e empresas, e que também permite diagnosticar e atuar em pontos sensíveis da cultura – melhorando o ambiente de trabalho.

A TeamHub é uma das startups que recebeu aporte do Semente Preta, fundo de investimentos focado em empresas fundadas por empreendedores negros e negras. 

Assista à história de Tatiana no primeiro vídeo da série “A gente muda o sistema”, um projeto criado pelo Nubank para o mês da Consciência Negra:

A educação abriu portas

A vocação e a motivação para trabalhar com desenvolvimento de pessoas já existiam, mas faltava a Tatiana a formação. Então, aos 33 anos,  decidiu fazer uma graduação em gestão de RH. “O curso escolhido não foi o dos sonhos, mas o que era possível para eu conseguir conciliar os estudos com o trabalho”, diz Tatiana.

Na mesma época em que iniciou a faculdade, Tatiana começou a trabalhar como recepcionista em uma empresa de tecnologia. Em apenas quatro anos chegou ao posto de gerente de RH e nunca mais saiu da área.  

Por causa do trabalho, Tatiana teve a oportunidade de fazer alguns cursos, e se aprofundar em liderança e gestão. “Ali descobri qual era o meu propósito, o que tinha ido buscar fazendo o seminário lá atrás na minha juventude. Ficou claro que meu  propósito é contribuir para o desenvolvimento das pessoas”, conta.

Logo após os dois anos de graduação, Tatiana ingressou em uma renomada (e cara) pós-graduação na área, depois de meses se organizando financeiramente para mais este sonho. “Mas na minha entrevista de admissão já senti o racismo: a psicóloga me falou que ali não era o meu lugar . Foi um choque de realidade. Respondi sendo uma das melhores alunas da minha turma durante todo o curso”. 

O início da jornada empreendedora

Depois de passar quatro anos na mesma empresa, Tatiana decidiu usar a experiência na área para montar o seu primeiro negócio: uma consultoria – e foi a partir dessa experiência de três anos em diferentes realidades corporativas que ela enxergou o potencial de um novo negócio.  

Tatiana percebeu a necessidade da existência de uma ferramenta que ajudasse as empresas a terem uma dimensão palpável sobre o ambiente da organização. Ao conversar com um ex-colega de trabalho que era da área de tecnologia, descobriu que poderia desenvolver essa ferramenta. Foi aí que nasceu a TeamHub – startup liderada por ela.

Do zero ao aporte do Nubank

Sem conhecer muito sobre tecnologia e o ecossistema de startups, Tatiana empreendeu como grande parte dos brasileiros: na cara e na coragem, começando do zero. Ao conhecer outros CEO’s e pessoas que estavam à frente de empresas jovens, se deparou com uma realidade desigual. Afinal, quase não havia pessoas negras.

Um estudo da Black Rocks Startups mostra que apenas 21% das startups brasileiras têm fundadores negros ou negras. E infelizmente essa baixa representatividade fez com que ela sofresse ainda mais preconceito. “Eu sofri muita resistência. Gente dizendo: isso não é pra você não. E quando a gente olha o ecossistema, as outras startups, a gente não se identifica. Não tem alguém parecido com você. É triste”, diz.

Os investimentos também refletem e reforçam esse cenário desigual. Segundo o mesmo estudo da Black Rocks, 49% das startups lideradas por pessoas negras receberam algum tipo de investimento, enquanto o número para fundadores não negros é de 57%.

Mesmo com um cenário adverso, a TeamHub conseguiu se estabelecer na cena empreendedora. Por seu potencial, recebeu um aporte por meio de um programa criado pelo Nubank exclusivamente para potencializar startups criadas e/ou lideradas por pessoas negras: o Semente Preta

“Eu venho nesse processo de assumir o meu lugar e é incrível ver onde eu cheguei, inclusive como uma referência para outras pessoas e para a minha família. Isso pra mim não tem preço”. 

“Agora, estou olhando além. Eu quero ser reconhecida como uma mulher que conseguiu causar impacto e mudar algo”, diz.

Leia também: “A gente muda o sistema”: histórias de orgulho e pertencimento  

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